Elisângela divide dois cômodos com a família
Elisângela divide dois
cômodos com a família
A viagem mais longa que a estudante Elisângela Mendes, de 12 anos, fez até hoje foi percorrer, de ônibus, os 150 quilômetros entre Foz do Iguaçu, onde mora, e Cascavel. No final de junho, ela viajará à França - país a mais de 11 mil quilômetros do Brasil.
Ela sempre falava que tinha um sonho de viajar para longe. Deus teve dó, afirma a mãe da estudante, a empregada doméstica Olinda Aparecida Lopes da Silva, de 31 anos. Com uma renda mensal de R$ 400,00, Olinda e o marido, o servente de pedreiro Ademir Mendes, de 38 anos, sustentam os quatro filhos, com idades entre nove e 14 anos. A família mora em uma casa de dois cômodos no Jardim Morenitas, bairro pobre erguido em uma área invadida.
Por falta de documentos como identidade e título de eleitor - necessários para a expedição de passaporte - e por não ter conseguido liberação no trabalho, Ademir Mendes não poderá acompanhar a filha na viagem. A mãe não quis ir porque tem medo de avião. Elisângela será acompanhada pela diretora da Escola Municipal José de Alencar, Márcia Bachixte, 28 anos.
Apesar de se declarar corintiana, a estudante confessa ter pouca intimidade com o futebol. Só depois de ter sido sorteada para ir à Copa é que ela procurou aprender o nome dos jogadores da seleção. Disse gostar de Romário - influência do pai, flamenguista. Além de conhecer a França, Elisângela quer colher o maior número possível de autógrafos de jogadores da seleção para presentear o pai.
Márcia Bachixte conta que enviou ao concurso três cartas em nome de Elisângela. Ela é uma ótima aluna. Nunca tirou uma nota vermelha, garante a diretora. Ao todo, a escola - que tem 500 alunos, de 1ª a 4ª série - enviou 101 cartas. Esperávamos ter pelo menos um sorteado, diz Márcia, que também viajará ao exterior pela primeira vez. (Valmir Denardin)





