Eliminando o perigo dos choques elétricos
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sexta-feira, 29 de abril de 2016
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Todo cuidado é pouco quando se tem criança pequena em casa, e toda mãe sabe disso. Um simples descuido pode ser fatal. É melhor então não facilitar. Foi esse o pensamento da empresária Paola DAguila Pelayo quando decidiu espalhar protetores pelas tomadas de seu apartamento. Hoje com três anos, o pequeno Francisco já tem consciência do perigo da energia elétrica. "Já expliquei para ele que tem eletricidade, que dá choque e pode causar um machucado forte. É importante a orientação, até acima da proibição. A capacidade de compreensão da criança é maior do que um adulto pode perceber", garante ela.
Com tudo isso, é possível afirmar que Francisco está longe de entrar para uma estatística negativa, divulgada recentemente pela Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel). Em 2015, os acidentes com eletricidade vitimaram 32 crianças de 0 a 5 anos no Brasil, um aumento de mais de 50% em relação ao registrado em 2014, quando foram 20 as fatalidades nessa faixa etária.
A pesquisa aponta ainda que a maioria absoluta das mortes aconteceu em acidentes domésticos. Daí a necessidade de não descuidar. "A energia elétrica é extremamente útil para a sociedade, porém se não for respeitada pode causar acidentes e levar até a morte", alerta a supervisora do setor de segurança da Copel, Daniele Ciotta.
Na casa da Paola, além dos protetores nas tomadas, ela ainda tomou outros cuidados importantes, como não deixar as tomadas em uso ao alcance do filho. "Na hora de montar a sala e escolher os móveis, já colocamos estrategicamente tampando tomadas. Em algumas, usamos um filtro de linha para esconder atrás do armário", conta a empresária. "Como a criança é mais frágil e não tem noção do perigo ao qual está exposta, é sempre importante o cuidado dos pais, que é o que vai protegê-las", reforça Daniele.
Paola ainda traz outras dicas importantes para os pais que têm filhos pequenos como ela. "Quando fui comprar os protetores, fui atrás dos mais simples, mas o que me chamou a atenção é que encontrei vários no mercado que tem um ursinho, ou eram coloridos, e acho que isso, apesar de divertido, pode acabar voltando a atenção da criança para algo que é neutro na casa", observa a mãe do Francisco.
LESÕES
Apesar do aumento no número de casos no país, em Londrina até mesmo as ocorrências de choques elétricos em crianças são pouco comuns, segundo o diretor de urgência e emergência em Saúde da secretaria municipal, Felipe Pinheiro. Ele chama a atenção para as lesões que o choque elétrico pode causar na criança. "A corrente elétrica pode levar a uma queimadura grave, e também o risco de parada cardíaca", pontua.
"Uma corrente de 1 miliampere já é suficiente para levar a óbito. A baixa tensão passa pelo coração, que bate por impulsos elétricos. Quando passa uma corrente diferente pode desequilibrar o batimentos e causar uma fibrilação e, consequentemente, a parada cardiorrespiratória", complementa Daniele Ciotta.
Além de tomar os cuidados, saber como proceder no momento de um choque elétrico é importante para evitar uma tragédia. E a primeira dica é se certificar de que a corrente elétrica já acabou. "Porque se tentar socorrer com a corrente elétrica ainda ligada também será vítima do choque, pois a corrente passa de uma pessoa para outra. Depois, o ideal é afastar a criança do local do choque, manter a calma e acionar o Siate (193) ou Samu (192)", indica o diretor.



