A Subdelegacia Regional do Trabalho acredita que o acidente com o elevador que levou à morte Jorge Luiz da Silva Mello e Edvaldo Ferreira da Silva Junior, na última segunda-feira, pode ter sido causado por uma remontagem do cabo de aço que liga a cabine ao motor. A remontagem teria acontecido na roldana que faz parte do sistema de movimento do elevador. Um laudo ainda está sendo preparado e deverá se entregue, dentro de alguns dias, à Promotoria de Acidente no Trabalho.
Jorge Mello e Edvaldo Junior trabalhavam dentro de uma armação metálica (cabine sem paredes e teto) de um elevador instalado provisoriamente em uma das torres do complexo Twin Towers, na Avenida Tiradentes, 1.501 (zona oeste de Londrina), quando a cabine despencou de uma altura de cerca de 60 metros. De acordo com o auditor fiscal do trabalho na área de Saúde do Trabalhador, Paulo César Aranda, não havia cabos arrebentados no elevador.
O auditor explicou que a armação que funciona como cabine é presa por uma alça feita de três cabos de aço, onde é fixado um gancho que une a estrutura ao cabo de aço que vai até o motor. A roldana onde teria acontecido a remontagem fica na casa de máquinas. Segundo Aranda, a remontagem deve ter causado um tranco na cabine, com provável oscilação lateral. ‘‘Esta oscilação pode ter sido pequena, mas suficiente o bastante para soltar a alça do gancho’’, sugeriu.
O auditor explicou que, pelas normas do Ministério do Trabalho, deveria ser instalado um sistema de freio auxiliar – que não existia – capaz de segurar a cabine no caso de um problema como este ou rompimento do cabo de aço. Ele considerou ‘‘rudimentar’’ o sistema utilizado pela JJM, empresa terceirizada pela Thyssen Sur, responsável pela instalação dos elevadores.
Segundo o auditor, a JJM – empresa de propriedade de Arildo Ferreira da Silva, irmão de uma das vítimas – será responsabilizada e autuada pelas mortes. ‘‘Ela era a empregadora oficial e deverá receber uma multa provavelmente no valor máximo’’. O valor exato será definido pelo delegado regional do Trabalho, Wellington Cavalcanti, em Curitiba.
Após o encaminhamento do laudo pela Subdelegacia Regional do Trabalho, o Ministério Público poderá propor ainda um acordo para ressarcir as famílias das vítimas. Também deverá ser protocolada ação criminal por parte da polícia, que está investigando o caso.
O gerente-regional da Thyssen Sur, em Curitiba, Nelson Bica, disse ontem que a empresa só irá se pronunciar, se julgar necessário, após a divulgação oficial do laudo.

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