O rompimento do cabo de um elevador de um prédio em construção deixou 11 pessoas feridas na região central de Curitiba. O acidente ocorreu por volta das 7h35 da manhã de ontem. Os operários da construtora Tomasi, que está fazendo um prédio residencial de 25 andares, estavam dentro do elevador quando ouviram um estalo.
‘‘Foi de repente. Estávamos no terceiro andar quando aconteceu o estouro. Só deu tempo de me segurar firme nos lados e esperar a porta do elevador abrir’’, relatou José Petrúcio Neto, 41 anos, auxiliar de pedreiro, que há cinco meses trabalha na obra. Petrúcio foi um dos feridos no acidente. Ele foi atendido rapidamente no Hospital Evangélico e liberado em seguida.
O elevador tinha capacidade para 1,5 mil quilos e estava operando pela segunda vez no dia. Ele caiu do terceiro andar, numa altura de cerca de 15 metros. O responsável pela manutenção dos elevadores, Castorino Batista Ribeiro, disse que a última vistoria foi feita no final da tarde de anteontem e nenhuma irregularidade foi constatada. Gilmar Roberto Mazzo, que presta serviço de segurança, contou que os livros de manutenção estão todos em dia. ‘‘Não sabemos o que aconteceu’’, declarou ele.
O engenheiro João Antônio Tomasi, proprietário da construtora, acompanhou todo o trabalho da perícia técnica feita pelo Instituto de Criminalística do Paraná. A suspeita é a de que o cabo tenha rompido por ter saído da roldana – local onde ele circula livremente. ‘‘Isto fez com que o cabo partisse’’, afirmou o engenheiro, que disse que irá demolir imediatamente o elevador. ‘‘Não quero mais nem ver o elevador. Vou demolir e pronto’’, complementou ele.
A engenheira Lenita Maria Stankiewicz, do Ministério do Trabalho, contou que a empresa já havia sido autuada em fevereiro por falta de uma proteção circular e pela ausência de um bandejão de plataforma. O elevador de materiais havia sido interditado. ‘‘Algumas normas não estavam sendo respeitadas’’, enfatizou ela. Este é o segundo acidente com elevadores de construção ocorrido desde 1995. Lenita disse ainda que os acidentados poderão entrar com uma ação civil indenizatória contra a construtora. O engenheiro responsável pela obra poderá responder inquérito.
Os feridos foram encaminhados para os hospitais Cajuru e Evangélico. Ontem, a reportagem da Folha foi informada que o estado mais grave era a de Revair Machado, que teve fratura exposta na perna e seria submetido a uma cirurgia de emergência. Também estavam internados Lorival Sobkviak, Daniel dos Santos, José Alberto dos Santos, Gelson Felizberto e Pedro Luiz Sobkviak. Os demais já tinham recebido alta.