A proposta de elevação da comarca de Curitiba de entrância final para entrância especial está desagradando juízes e promotores do interior. O projeto já foi aprovado pelo Tribunal de Justiça e está em tramitação na Assembléia Legislativa. Em Campo Mourão, cinco juízes, uma juíza substituta e quatro promotores chegaram a elaborar uma ‘‘carta aberta’’ para ser enviada à Assembléia. O documento diz que a elevação da comarca de Curitiba aumentará as despesas do Poder Judiciário sem resolver o problema do acúmulo de serviço.
‘‘Não vemos objetivo prático nessa proposta’’, explicou ontem o diretor do Fórum de Campo Mourão, Mário Carlos Carneiro, em entrevista à Rádio Humaitá. ‘‘Para melhorar o trabalho do judiciário, teríamos que aumentar o número de varas e de juízes’’. Segundo ele, os problemas da comarca de Curitiba são os mesmos das comarcas do interior e não deveria existir diferenciação. Atualmente Curitiba é entrância final, assim como Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel e Foz do Iguaçu.
‘‘A medida se mostra injusta e desvaloriza o trabalho e a igualdade alcançada por toda a magistratura do interior’’, destaca um trecho da carta aberta. Mais à frente, o documento diz que a elevação da comarca curitibana determina o redimensionamento salarial, ‘‘o que não atende o estrangulado orçamento do Estado do Paraná e a sempre considerada demanda jurisdicional’’. Os juízes e promotores também temem que a medida cause desinteresse nos trabalhos das comarcas do interior, com a consequente queda da produção e da qualidade do serviço.
‘‘Se efetivamente se pretende resolver o problema de Curitiba, o aumento dos juízes inserido no projeto é inafastável. Contudo, a especialização da entrância e o aumento de percentual do salário que a seguem é despicendo porque desconsidera a realidade igualmente tormentosa dos juízes das comarcas das demais entrâncias’’, ressalta outro trecho da carta aberta elaborada em Campo Mourão. De acordo com os juízes, o projeto em trâmite não apresenta a melhor solução e ‘‘rebaixa’’ as demais comarcas do Estado.
Na região de Campo Mourão, pelo menos outras quatro comarcas - Goioerê, Ubiratã, Barbosa Ferraz e Engenheiro Beltrão - também já se manifestaram. ‘‘O movimento surgiu espontaneamente em várias comarcas do interior’’, disse Carneiro. Apesar do protesto, os juízes e promotores de Campo Mourão reconhecem que o número de varas cíveis em Curitiba (21) é baixo.

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