Eletrosul faz alerta contra novo aterro
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domingo, 08 de fevereiro de 2004
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) ainda não recebeu o relatório de impacto ambiental elaborado pela Empresa Transmissora de Energia Elétrica do Sul do Brasil S/A (Eletrosul), o qual questiona as implicações da abertura de um novo aterro sanitário em Londrina, localizado no distrito de Irerê, Zona Sul da cidade.
O presidente da CMTU, Wilson Sella, afirmou não ter visto o relatório e preferiu não comentar sobre os possíveis danos ambientais. Segundo ele, o EIA/RIMA realizado pela Ambienge Engenharia Sanitária e Ambiental Ltda, de Curitiba, custou cerca de R$ 75 mil e não foi contestado pela Eletrosul. ''Expedimos uma carta consulta à Eletrosul e não recebemos parecer oficial contrário da empresa com relação ao relatório realizado pela Ambienge'', declarou Sella.
De acordo com o gerente da Eletrosul, Carlos Roberto Teodoro, a empresa possui uma subestação próxima ao local escolhido para a construção e afirma que a obra pode causar danos às torres de transmissão. ''Possuímos um total de seis torres de transmissão, que interligam Londrina a Maringá e Maringá a Assis, no estado de São Paulo'', contou. Teodoro ressaltou que a emissão de gases vinda do aterro poderá corroer as fundações das torres e impedir a realização de inspeções aéreas, devido a concentração de urubus sobre as linhas de transmissão. ''Mas o ponto principal é a possível contaminação do rio que abastece as propriedades vizinhas'', explicou.
A proprietária de um dos sítios que fazem parte da área de influência do aterro, Suzana Maria Rockembach, informou que a CMTU necessita das licenças prévia e de instalação, fornecidas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), para dar início ao processo de licitação. ''Estamos nos preparando para uma audiência pública que será realizada assim que o IAP apresentar seu laudo técnico'', disse.
O promotor de Defesa do Meio Ambiente de Londrina, Eduardo Nagib Matni, que apresentou o documento da Eletrosul em uma reunião com a Comissão de Meio Ambiente da Câmara e representantes da sociedade civil realizada na última terça-feira, encaminhou ofício à CMTU, à Ambienge e ao IAP para que prestem esclarecimento sobre o potencial de risco do aterro para as torres de transmissão. ''Ainda estou esperando a resposta das entidades envolvidas e o próximo passo é aguardar a audiência pública que ainda não tem data definida para acontecer'', concluiu.


