Eletrônico e sertanejo: os ritmos do momento
PUBLICAÇÃO
sábado, 09 de outubro de 2010
Elaine Souza<br> Reportagem Local 
Nos fins de semana, a cena se repete: filas se formam nas portas das boates londrinenses com pessoas que têm como único objetivo a diversão. Para atender um público cada vez mais diversificado, as casas noturnas precisam se adaptar. Umas se especializam em um tipo de som, enquanto outras investem em noites temáticas. Geralmente as sextas-feiras são destinadas às duplas sertanejas. No sábado, os DJs dominam as pistas.
A divisão é muito bem-vinda e a explicação é clara. Geralmente quem curte música sertaneja não tem a mínima vontade de se entregar às batidas eletrônicas e vice-versa. Há ainda os que levantam a bandeira do ''eu sou eclético'', mas a esmagadora maioria não esconde a preferência.
Régis Toniazzo, estudante de Administração, conheceu o romantismo sertanejo na adolescência. ''Desde então vivo indo a festas sertanejas. Aqui no Paraná esse gênero musical é muito forte e, felizmente, nunca faltam baladas.''
A modelo Larissa Saloio também é defensora da música de raiz. Ela escuta as batidas todos os dias, coleciona faixas no computador e tem como toque do seu celular uma de suas canções prediletas. ''No meu carro só toca sertanejo.''
A febre do sertanejo universitário contribuiu para o aumento no número de festas do gênero. Muitos fãs chegam com as letras na ponta da língua e com pique para sacudir a noite toda.
O que diferencia o sertanejo universitário da música de raiz, segundo os ''especialistas'', é o ritmo mais dançante e agitado. ''Ela é muito mais animada e descontraída'', alfineta Toniazzo.
Em Londrina, existe casa especializada no público sertanejo pop. O Santarena quando abriu suas portas há pouco mais de seis meses sabia que ia angariar para suas noites uma boa parcela dos animadinhos local.
No lado de lá, os mais críticos costumam classificar o sertanejo de ''breganejo''. Mas o estilo busca renovação, deixando as festas de peão e feiras agropecuárias e invadindo espaços chiques e refinados. Nas grandes cidades, badaladas casas noturnas reservam dias da semana para o sertanejo, com entrada a R$ 150.
Famoso e cada dia mais rico, Luan Santana, o super star da vez, faz 25 shows por mês, conta com uma equipe de 85 pessoas e tem uma assessora de imprensa que não revela nem sob tortura quanto vale um show do garoto. Mas sabe-se que ele doou o cachê recebido por sua apresentação na Festa de Barretos deste ano para o Hospital do Câncer daquela cidade. O valor direcionado foi de R$ 400 mil.
Fernando e Sorocaba também vivem na estrada. A dupla, que começou em Londrina, já vendeu mais de 600 mil CDs e cumpre uma agenda de 20 shows ao mês, tem assessores que são avessos em dizer quanto a dupla cobra para soltar a voz. Os mais envolvidos no assunto afirmam que o valor chega a R$ 130 mil.


