Eletrônica tem estoque de mais de 60 anos
Um balcão de vidro e uma vitrola daquelas que enfeitavam as casas de nossas avós recebem os clientes da Eletrônica Hilverson, na Avenida Duque de Caxias. Nenhum letreiro identifica a oficina, que abriga dezenas de TVs, rádios, equipamentos médicos e eletrônicos produzidos décadas atrás. Mas quem precisar dos seus serviços vai encontrar um técnico de 88 anos, fala mansa e profundo conhecedor - e admirador - de aparelhos antigos. Carlos Guimarães Junior começou na profissão há 60 anos, consertando vitrolas de corda e relógios.
Seo Carlos também foi, durante 10 anos, encarregado dos aparelhos de precisão da Estrada de Ferro Norte do Paraná. Depois ganhou a vida como relojoeiro e como fotógrafo, antes de ser contratado pela Emissoras Coligadas para instalar emissoras de rádio pelo país - entre elas a antiga Rádio Clube de Londrina. Deste tempo o técnico guarda, como relíquias, alguns microfones, entre eles um produzido pela Philips holandesa, feito em metal e mármore. ''Nem a própria fábrica tem um deste'', garante.
A oficina fica no mesmo endereço há 33 anos, e o que a diferencia das demais, além do conhecimento do dono, é um precioso estoque. ''Em 1945 eu vendi uma casa para comprar peças. Até hoje tenho válvulas americanas, alemãs e holandesas que comprei naquela época, por isso aqui tem quase tudo que preciso para consertar os aparelhos''.
Em meio à profusão de aparelhos e peças o técnico trabalha sozinho. ''Deixei de ter funcionários por dois motivos: primeiro porque são aparelhos de até 3 mil volts e oferecem um grande risco para quem conserta (os modernos são quase todos de 12 volts); segundo porque esse pessoal mais jovem fuma muito, e eu não suporto o cheiro de cigarro.'' (S.L.)





