Enfrentar voltagens que variam de 13,8 mil a 34,5 mil volts onde os fios permanecem o tempo todo a poucos centímetros do corpo. É isso que encontram todos os dias os eletricistas da Copel que fazem manutenção das chamadas linhas vivas da rede de alta tensão, aquelas que não são desligadas para serem vistoriadas, e qualquer erro pode ser fatal. O trabalho deles garante a continuidade do fornecimento de energia elétrica até as residências.
Marcos Antônio Alba, 38 anos, atuava no departamento comercial da Copel quando foi procurado para trabalhar com linhas vivas há cerca de 10 anos. Hoje, ele é supervisor de equipe e garante que a função não é para qualquer pessoa. ''Nem todo mundo quer e nem todos aqueles que querem podem trabalhar com isso'', aponta, explicando que o trabalho exige boa habilidade manual, extrema concentração e facilidade em atuar em situações limite. O anjo da guarda dos eletricistas de linha viva é o caminhão, que isola a pessoa do chão e permite que o trabalho seja executado com boa margem de segurança.
''O menor vacilo é fatal'', observa o eletricista Cláudio Estevan Luiz, 41 anos. Ele diz que já passou por situações difíceis no trabalho mas conseguiu manter a calma graças à sua boa concentração e ao treinamento recebido. O último acidente na Copel ocorreu há 14 anos e o choque deixou o trabalhador inapto para a função.
O também eletricista Luiz Carlos Monteiro, 39 anos, explica que o trabalho é feito sempre em equipes de três pessoas: o executor do serviço, um assistente e um supervisor. Ele garante que ganhar a vida de forma tão perigosa não assusta mais tanto a esposa nem os filhos. A preocupação sobra para outra pessoa: ''geralmente quem se preocupa mais é a mãe da gente''.

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