Eletricidade exige cuidados
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terça-feira, 14 de agosto de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Uma brincadeira aparentemente inofensiva deixou cinco mil domicílios sem energia elétrica na semana passada, na região do Parque das Indústrias Leves (Zona Leste de Londrina). Segundo informações da Copel, depois que uma pipa se enroscou nos fios, um garoto teria tentado tirá-la e causou curto-circuito e rompimento dos cabos e a energia só foi totalmente restabelecida quase três horas depois.
Para orientar as crianças e tentar evitar acidentes como esse, a empresa promove palestras em escolas e também participa anualmente da Semana Nacional de Segurança com Energia Elétrica, que começou ontem e prevê diversas atividades em supermercados, cooperativas rurais, terminal urbano e canteiros de obras. Segundo Marcos Dantas de Oliveira, supervisor de segurança da Copel, os meses de julho e agosto são os de maior ocorrência envolvendo pipas, devido às férias escolares, à menor quantidade de chuvas e o aumento dos ventos.
''Anualmente, 200 mil unidades consumidoras - residências ou comércio -, ficam sem energia elétrica por causa das pipas na região Norte do Estado. No ano passado, nesta mesma região, 11 pessoas se acidentaram por tocar a rede elétrica. Destes, três morreram, sendo uma criança, por causa de uma pipa. No Estado foram 47 acidentes, com 16 vítimas fatais'', explica.
De acordo com Oliveira, 856 pessoas se acidentaram no Brasil em 2011, por causa da eletricidade e destes, 315 morreram. O maior número de mortes foi na construção civil, com 82 vítimas fatais. As ligações clandestinas foram responsáveis por 60 mortes, as instalações de antenas por 19 e as pipas por 4. ''As pessoas se concentram no trabalho e esquecem de prestar atenção ao ambiente e por isso acabam se acidentando'', pondera o especialista.
Valdinei Pereira da Silva comprova a tese. Responsável pela manutenção de semáforos, conta que algumas vezes acaba tomando choques. ''A gente se distrai e acaba acontecendo. Mas em casa nós tomamos muito cuidado. Fiz a distribuição de diversas tomadas pelos cômodos para não ter que usar os benjamins'', pondera.
O estudante Gabriel Rossato, de 15 anos, afirma que solta pipa, mas evita os fios elétricos. ''Moro em um conjunto residencial novo, lá não tem muitas casas ainda e por isso não tem muitos fios também'', explica. Ele afirma que já participou de palestras na escola sobre os cuidados a serem tomados com a energia elétrica e por isso presta atenção em itens básicos, como desligar o chuveiro antes de mudar a temperatura.
Pequenos descuidos podem causar acidentes graves. A microempreendedora Cleusa Davanço conta que quando tinha crianças em casa usava protetores na tomada, mas uma vez, durante manutenção em uma delas, o filho pegou uma chave de fenda e acabou tomando um choque. ''Não sei o que deu nele para enfiar a chave na tomada, foi um susto, mas não aconteceu nada mais grave'', recorda. Vínicius Davanço Pereira, o filho arteiro, hoje com 13 anos, diz que foi a única vez que brincou com energia elétrica. ''Tomamos cuidado com o chuveiro e também com outros aparelhos, para ver se não tem fios descascados'', conta a mãe.


