'Eles vêm de noite, pintando tudo'
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Em Londrina, muitas pichações dão lugar a grafites e propagandas em outdoors. Num giro rápido pela Região Central, a reportagem contou poucas incidências de vandalismo nos muros dos comércios e residências. Duas grandes pichações semelhantes, envolvendo nomes de candidatos à prefeitura, foram detectadas nos muros das paróquias São Vicente de Paulo, na Avenida Madre Leônia Milito, e Coração de Maria, na Avenida Juscelino Kubitschek.
Frases soltas, letras e símbolos marcam esporadicamente algumas construções, sem grande destaque. Seguindo rumo à Zona Norte, foram encontrados apenas resquícios do que um dia foi pichação na Avenida Lucia Helena Gonçalves Vianna, no Jardim Pacaembu: os comerciantes pintaram os prédios para esconder o desrespeito. Apenas um deles, Adivaldo Batista dos Santos, há 18 anos dono de uma vidraçaria na avenida, desistiu de pintar e deixou a sujeira à vista de quem passa. ''Já pintei duas vezes e eles refizeram a pichação, agora não pinto mais'', justificou.
''Eles vêm de noite, pintando tudo. É uma coisa sem sentido, tem que ser louco demais para subir numa marquise dessa altura'', comentou Santos, contando que um dos vizinhos, dono de um bar, até desistiu do comércio e mudou de cidade. ''Até deu uma acalmada desde a última pichação, há oito meses. Acho que é porque aumentou o número de barracões na rua'', completou o comerciante.
Segundo o tenente Ricardo Eguedis, porta-voz da Polícia Militar, pichar é considerado crime contra o patrimônio e pode render multa e até prisão. ''Embora exista, o número de pichações em Londrina é diminuto. A polícia até recebe denúncias, mas não há estatísticas'', disse.
Em Londrina, a limpeza do patrimônio público e até de praças e monumentos é realizada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), por meio de uma empresa terceirizada. Segundo a diretora de patrimônio público da Secretaria de Cultura de Londrina, Vanda Moraes, alguns monumentos históricos como a Concha Acústica, o altar da pátria e o monumento aos poetas japoneses, já sofreram pichações, ''que a própria CMTU se encarregou de limpar, mesmo não constando no edital de licitação''.
''É importante ressaltar no próximo edital um cuidado especial com os monumentos históricos, principalmente a limpeza de pichações e também sujeira de pombo. Acho que hoje pichação não é objeto da licitação, mas deveria ser incluída.''


