Eles treinam para chegar lá
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Kellen Lopes<br> Especial para a FOLHA 
Londrina - Comemoração, sim. Cabeça raspada, talvez, mas entrar na universidade, isso fica para mais tarde. Que o digam os treineiros do vestibular. A Universidade Estadual de Londrina (UEL) lançou há dois anos a inscrição de candidato treineiro para aqueles estudantes que ainda não completaram o ensino médio, mas têm curiosidade e interesse de vivenciar o concurso.
Segundo Silvano Cesar da Costa, coordenador da Coordenadoria de Processos Seletivos da UEL, entre 1.072 candidatos treineiros, 366 foram aprovados no último vestibular, cujo resultado voi divulgado neste mês. "O formato da prova é o mesmo para todos os candidatos. A única diferença é que são convocadas apenas as pessoas que efetivamente estão concorrendo à vaga", afirma.
"A idéia é que o estudante conheça o processo, vivencie aquele momento. Por mais que a escola faça simulados, ela não consegue simular todas as situações que existem no vestibular, por isso incentivamos o aluno", destaca Alderi Luiz Ferraresi, professor e diretor do ensino médio e cursinho do Colégio Universitário.
"A intenção foi ver como que é um vestibular, porque este ano é para valer", confirma Camila Maria Ambrosio, aluna do 2º ano do ensino médio do Colégio Newton Guimarães, aprovada para o curso de Fisioterapia. O resultado positivo serviu para aumentar o entusiasmo e retomar os estudos mesmo antes do início das aulas. "Ela já começou a ler um dos livros que consta na lista da UEL e a fazer aula particular de redação", acrescenta a mãe da estudante, Érica Maria Ambrosio.
Uma atitude comum entre os treineiros é que eles vão para prova tranquilos, sem a preocupação com a aprovação. "Não me preparei especificamente para vestibular, foi meio no susto", relembra Camila.
Lucas Takeshi Tomimatsu, 16 anos, aluno do Colégio Universitário, prestou vestibular na UEL pela segunda vez como treineiro. Aos 15 anos foi aprovado em Matemática e agora comemora a aprovação em Administração. O bom desempenho nos estudos está no sangue. A irmã de Lucas, Camila Emi Tomimatsu, conquistou em 2008 o 3º lugar do Brasil no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). "Foi importante prestar vestibular como treineiro, porque adquiri uma referência em relação ao vestibular que tem me ajudado bastante nos estudos. Neste ano, vou estudar mais e focar no que eu quero", ressalta Lucas.
De acordo com Ferraresi, a primeira fase da UEL se baseia em competências e habilidades que o aluno do 2º ano já está apto, pois envolve mais a questão de conhecimento e de raciocínio. Já na segunda fase, com provas específicas, o treineiro tem condições de resolver mais de 50% da prova. Segundo ele, como o estudante não concluiu o ensino médio, ainda falta conteúdo para resolver a totalidade das questões.
Nem sempre os cursos almejados são aqueles escolhidos quando eles se inscrevem como treineiros. Munira Chinezi Tauil, 16 anos, aluna do 2º ano do Colégio Maxi, tem o sonho de fazer Engenharia Química, curso que não é oferecido pela UEL. Mesmo assim não quis perder a oportunidade e foi aprovada em Química. "Prestei mais como se fosse uma experiência, para que na hora em que for para valer não me assustar. Queria me testar, saber se o que eu havia aprendido até aquele momento era bastante coisa", afirma.
Munira descreve que não sabia se tinha ido bem ou mal, e quando saiu o resultado da primeira fase parecia inacreditável. Só com a publicação da segunda fase que "caiu na real". "Agora vi que vestibular não é aquela coisa impossível, como muita gente diz".
Os estudantes não descartam a importância do simulado promovidos pelas escolas, que segundo eles, ajudam a encarar a prova de forma segura, uma vez que o sistema aplicado é semelhante com os vestibulares das principais universidades do país.


