Eles têm uma Harley e um só destino
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de agosto de 1998
Guilherme Vieira 
Nascida de um sonho de dois jovens amigos há 95 anos, a marca Harley Davidson parece possuir uma magia capaz de unir as pessoas. Definida incansavelmente como uma lenda sobre rodas, essas motocicletas produzidas na cidade americana de Milwaukee já tiveram esta capacidade de união apresentada nas imagens do filme Easy Rider (Sem Destino), em que dois amigos decidem cruzar os Estados Unidos da América pilotando suas HDs.
De lá para cá as histórias se multiplicaram, e em Curitiba, que também é uma terra de harleiros, a coisa não vem acontecendo de forma diferente. O empresário Marcos Antonio Malucelli Neto conta que conheceu seu atual sócio, o também empresário Mario Ferelli, em um grupo de motociclistas. Isso aconteceu há cerca de três anos, depois que Malucelli trocou a moto que possuía tipo speed (semelhante aos modelos de competição de velocidade) por uma Harley Davidson Electraglide 1977. Deixei de pilotar para chegar mais rápido que os companheiros de estrada e para adotar a camaradagem, onde um espera pelo outro. Segundo Malucelli a magia de pilotar uma HD é tão grande que coisas inexplicáveis acontecem. Ele conta que depois de comprar a sua primeira Harley percebeu que o número do chassis da motocicleta era o mesmo da data de seu nascimento, 07/07/67. Percebi que não poderia mais vender essa moto, e que ela estava destinada a ser minha, diz. Hoje Malucelli possui duas motos, todas HDs, e garante que não quer saber de outra marca. Estou achando adrenalina em outras coisas que não o gás na hora de pegar estrada.
Outro exemplo da união e amizade através de uma Harley é o caso do estudante Iraci Viana Neto e sua mãe Blanca, titular do 3º Tabelionato de Notas de Curitiba. Blanca conta que decidiu comprar uma motocicleta para realizar um sonho de menina, e que essa atitude lhe trouxe uma grata surpresa: Meu filho passou a me acompanhar nos passeios de moto e estamos cada vez mais ligados, conversando com a mesma linguagem e com os mesmos interesses, diz. Para a tabeliã, os momentos em que passa reunida nos grupos de motoqueiros são encontroa sadios, sem preconceitos de raça, classe social ou qualquer outro tipo, em que o universo do motociclismo é o único interesse. Existem diversas facções, mas o relacionamento humano entre todas elas é muito cordial, lembra.
Moisés da Silva, conhecido como Capitão Moita, é o presidente do Grupo Cavaleiros de Aço, um dos mais antigos grupos de harleiros de Curitiba. Capitão Moita vai mais além ao falar sobre o bom relacionamento com os outros 12 integrantes do grupo. Só temos alegrias, e as eleições que acontecem a cada três anos sempre acabam em unanimidade, comemora. O grupo que já tem 10 anos possui regras rígidas para quem quiser ser um dos novos integrantes. Capitão Moita explica que o estatuto do grupo exige que o novo integrante passe um período em observação. O primeiro passo é viajar pelo menos 3 mil quilômetros junto conosco. Depois disso, nos reunimos para uma avaliação em que é verificado se o pretendente gosta de estrada e é companheiro. O estatuto dos Cavaleiros de Aço só permite que o novo membro ingresse se for aceito por todos.


