Victor Hugo tem 17 anos. É um adolescente como outro qualquer, com seus problemas e sonhos. Gosta de poesia. ''Tenho cinco cadernos cheios de poemas espalhados por aí'', diz com orgulho o garoto que cursa a 7 série do Colégio Estadual Villanueva, na Vila Oliveira, em Rolândia.
Quem o vê hoje em dia, com o bloquinho da Zona Verde nas mãos, todo sorridente, não imagina os problemas que ele já enfrentou. ''Vivia nas ruas, com más companhias, tinha parado de estudar, mas agora estou feliz'', confessa, dizendo que pretende fazer a faculdade de Letras e se tranformar em escritor como o 'xará' famoso, autor do best seller ''Os Miseráveis''.
O colega Salomão, também de 17 anos, está cursando o 1º colegial, no Colégio Estadual Souza Naves. Há nove meses atuando na Zona Verde, ele não esconde a felicidade de, todo final de mês, receber o salário, fruto do seu próprio esforço. ''Estou feliz, tenho três irmãos menores e já posso ajudar em casa.''
Salomão e Victor Hugo fazem parte do projeto Amor (Associação do Menor Operário de Rolândia), criado em 1º de maio de 2004 pela batalha de cinco pessoas: monsenhor José Agius, José Cláudio Batista, o 'Sorria', Geraldo Campaner, Jorge Paiva e Horácio Fernandes Negrão Filho. ''Nosso objetivo era tirar os adolescentes das mãos dos bandidos e traficantes e colocá-los no mercado de trabalho'', explica Sorria.
Inspirados na Epesmel (Escola Profissional e Social do Menor de Londrina), o grupo criou a ONG Amor, cuja mantenedora é a Associação das Voluntárias da Caridade, e convenceu políticos e comerciantes da necessidade de instalação da Zona Verde, nos moldes da Zona Azul londrinense.
O projeto enfrentou muitas resistências, mas segundo Sorria obteve o apoio integral do prefeito Eurides Moura (PMDB), que se empenhou junto à Câmara Municipal para aprovação da lei criando as áreas de estacionamento pago nas ruas centrais.
Com apoio do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, aos poucos, o projeto foi superando obstáculos, atendendo 40 adolescentes entre 16 e 18 anos (incompletos). Eles são obrigados a estudar e tirar boas notas. Trabalham meio período, fazem parte de uma categoria sindicalizada e recebem R$ 175 por mês.
''O começo foi difícil, mas com a entrada da Faccar - Faculdade Paranaense, que fornece os uniformes completos, ganhamos respaldo e mais respeito'', afirma Sorria, lembrando que os sapatos da garotada são doados pela Levert Calçados.
Para se ter uma idéia do sucesso, 150 estão na lista de espera por uma vaga no projeto, onde já passaram 100 adolescentes. Destes, 21 estão inseridos no mercado de trabalho, absorvidos por empresas rolandenses.
No projeto, a assistente social Elisângela Brum da Silva Matama atende os jovens e faz um trabalho importante com as famílias. ''É preciso que a sociedade perceba a importância do Projeto Amor. Que os comerciantes nos dêem mais apoio, porque todo o dinheiro arrecadado é revertido em favor dos adolescentes e fica na cidade, no comércio local'', desabafa Sorria. (D.G.J.)

Serviço
- Quem quiser colaborar com os trabalhos da ONG Amor é só ir até a Rua Hugo Maria do Valle, 68, ou ligar para (43) 3255-1297.

mockup