Eles são movidos a hormônios e frustração
Muitos nervosos, os professores afirmam que os alunos destroem a escola pelo prazer de destruir. ''Eles são violentos em relação à linguagem, não fazem as atividades escolares, mas nunca agiram assim'', afirma a professora Leila Pontes. Ela conta que muitos alunos acabam indo ao colégio e ficando do lado de fora do prédio, incentivando a baderna dentro da escola. ''Estamos reféns dos alunos. A escola não tem mais domínio sobre eles.''
Segundo a pedagoga Rosemari Friedmann, o problema é que os alunos não percebem a escola como um instrumento para melhorar a própria vida. ''É um fenômeno presente em todas essas situações de agressividade. O aluno não percebe a escola como um espaço dele, que vai melhorar sua condição de vida'', afirma.
O motivo, segundo ela, é a grande pressão que atinge os jovens. ''Eles são bombardeados pelo conjunto de ações que valoriza a aparência para o qual eles não têm nenhuma via de acesso. O que o jovem vê na frente é a vitrine do shopping. São adolescentes movidos a hormônios, drogas e frustração''.
Em territórios mais delimitados, o comportamento de gangues é pautado quando são operados ataques naquilo que pertence a eles. ''Não existe racionalidade e por isso tudo se generaliza. A violência só pára quando existe outra ação violenta, em alguns casos, com a interferência da polícia''.
Segundo Rosemari, antes de expulsar alunos, é preciso abrir uma discussão porque o problema, além de educacional, é psicológico e social. ''Se há um envolvimento generalizado na agressão é porque alguma coisa que ainda não foi detectada não está funcionando bem''.





