Marcelo AlmeidaVoluntáriaPediatra é uma das especialistas da equipeMuita coisa mudou nos últimos anos para os portadores de Síndrome de Down. Eles deixaram de ser motivo de piada para se tornarem pessoas com possibilidade de estudar e trabalhar normalmente. Alguns frequentam a mídia como entrevistados em reportagens e como atores, na luta da informação contra o preconceito. O próximo desafio é incluir os portadores nas escolas regulares.
Para acabar de vez com o estigma de pessoas indesejadas e incapazes, especialistas e, principalmente, pais vivem diariamente a busca pelo respeito. Eles acreditam que a inclusão dos portadores nas escolas regulares seria o início de uma transformação que garantiria o direito deles como cidadão.
Marcelo AlmeidaAmor e estímuloMarcela Pristupa e Bruno, no ambulatório do HCO assunto foi discutido no início deste mês, em Brasília, durante o Seminário Estratégias Educacionais Inclusivas e volta a ser tema de um outro encontro que acontece neste final de semana, em Natal (RN). Depois disso, representantes de 41 entidades de apoio aos portadores de Síndrome de Down existentes em todo o Brasil, vão elaborar um documento reivindicando o inclusão dessas pessoas no ensino regular. O material será entregue ao Ministério da Educação e do Desporto (MEC).
Noemia da Silva Cavalheiro, presidente da Associação Reviver Down, de Curitiba, que está participando dos encontros, diz que a medida ajudaria a reduzir o preconceito existente contra as pessoas Down. Mesmo que seja a longo prazo, ela explica que com a presença do portador no ambiente escolar, as crianças ditas normais cresceriam com outra visão.
É o que acredita Márcia Inês da Silva Nogueira de Matos, 19 anos, mãe de Beatriz Nogueira de Matos, nove meses. Apesar da pouca idade da primeira filha, ela já pensa em matriculá-la em uma escola de ensino regular. Para ajudar no desenvolvimento, Beatriz é acompanhada no Ambulatório de Síndrome de Down do Hospital de Clínicas e faz sessões de estimulação numa fundação ecumênica onde mora, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
Mas a ida para uma escola regular depende do desenvolvimento dos portadores de Down. No início todos participam de escolas especiais, e só depois de avaliados podem ir para um colégio convencional. A pequena Daniele Mouro, de um ano e dois meses, provavelmente não terá essa sorte. Segundo a mãe dela, Dulceline Fátima de Oliveira, além da Síndrome de Down, Daniele possui problemas neurológicos que dificultarão seu aprendizado.
Dulceline de Oliveira não reclama das dificuldades que surgem ao criar um filho Down. Pior do que a deficiência é encarar o preconceito da sociedade. ‘‘A maioria das pessoas prefere o afastamento, tirando a pessoa do convívio social’’, diz.

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