Somente 40% das pessoas com perda de audição reconhecem que ouvem mal. Falta de informação e preconceito contribuem para que a maioria demore, em média, seis anos para consultar um especialista, que irá avaliar a causa, o tipo e o grau da perda auditiva, detectada a partir de testes como a audiometria. Muitas vezes, o uso de aparelho auditivo resolve o problema, em outras o indivíduo precisa reaprender a conviver em sociedade sem ouvir.
Mais de 15 milhões de brasileiros têm problemas de audição, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Nesse balanço estão incluídos os 12 milhões com mais de 65 anos que sofrem algum grau de perda auditiva. No caso dos idosos, o deficit de audição pode ocorrer por causa de mudanças degenerativas naturais do envelhecimento.
À medida em que o indivíduo envelhece, as células ciliadas da orelha interna começam a morrer, mas existem casos em que a pessoa perde a audição mais cedo e mais rápido, em decorrência de doenças como meningite, caxumba, sarampo ou até diabetes. Um em cada cinco adultos e mais da metade das pessoas com mais de 80 anos sofrem de perda auditiva. Mais de 50% da população com problemas de audição estão em idade produtiva.
Conforme a fonoaudióloga Letícia Senedese Werner Fávaro, responsável técnica pelo centro audiólogico do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles), a maioria das pessoas com mudanças degenerativas naturais do envelhecimento começa a perder audição quando há um declínio na capacidade de ouvir sons de alta frequência, como as consoantes S, T, K, P e F durante uma conversa.
Segundo ela, a competição ruidosa é um dos fatores que potencializam a surdez, como o uso de fones de ouvido ou o trabalho em ambientes barulhentos sem proteção auricular. ''Muitos percebem que não escutam quando alguém chama não atendem ou quando não conseguem falar ao telefone'', diz Letícia.
Nesse caso, o indivíduo deve procurar um otorrinolaringologista para realizar exames de audiometria e imitanciometria, que mede a mobilidade da membrana do ouvido. ''E quando o ouvido interno está lesado, se não há tratamento medicamentoso ou cirúrgico, o uso do aparelho é indicado.''
No Iles, todo paciente passa por um treinamento auditivo, o qual reavalia o uso do aparelho e ensina ao indivíduo técnicas de convívio em sociedade para que ele seja independente, aprendendo a colocar o aparelho, manusear e limpar para garantir a qualidade de vida.''
Se o indivíduo nasce surdo, a linguagem dos sinais é sua primeira língua, mas se ele perdeu a audição ao longo da vida, a comunicação passa a ser pela leitura labial. Letícia explica que o tratamento com o fonoaudiólogo tem por objetivo estimular a fala para garantir a socialização do surdo.
Ela cita o teste da orelhinha, ofertado pela Maternidade Municipal há sete anos, como uma boa saída para realizar o diagnóstico precoce da surdez. ''Sem o teste era necessário esperar a criança falar, com dois ou três anos de idade. Se a criança não falasse era porque tinha problemas na audição, já que o surdo não fala porque não escuta o próprio som e não consegue duplicar palavras'', aponta.
Ainda segundo a fonoaudióloga, o teste é indolor e deve ser realizado num ambiente silencioso, 24 horas após o nascimento do bebê, que deve reagir a emissões otoacústicas provocadas por uma sonda colocada no ouvido da criança para estimular as células auditivas. ''Todo nenê nasce com uma secreção no ouvido, mas se essa secreção não for eliminada em um mês, o bebê é encaminhado ao Iles'', diz Letícia, alertando para perdas auditivas condutivas.
''E quando a secreção não acaba pode ocasionar otites ou rolhas de cera em crianças em idade escolar, que devem passar por avaliação para verificar se há perda auditiva'', reforça.

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