A coordenadora geral do condomínio Residencial das Américas, Maria Cristina Mendes, afirmou ontem de manhã que não tinha conhecimento da invasão feita no apartamento de Augusto da Silva.
Ela disse que o condomínio é grande - são 98 blocos com 1.424 apartamentos - e não dá para conhecer todos os problemas. A síndica afirmou ainda que somente ‘‘doutor Neto’’ poderia falar sobre o assunto.
Mas o caso acabou chamando a atenção dos vizinhos, que não dispensaram críticas à administração do condomínio. ‘‘Se você atrasa (a taxa de condomínio) um mês, eles não te deixam mais em paz. Ligam, dão queixa no Seproc (Serviço de Proteção ao Crédito), falam com o fiador... Até compra eles barram na portaria’’, comenta a moradora Sandra Cristina dos Santos, a primeira que confortou Augusto da Silva depois de descobrir que a esposa dele havia morrido.
Maria do Socorro, moradora do bloco 11, conta que recentemente atrasou algumas prestações do condomínio e foi impedida de entrar com seu carrinho de cachorro-quente, com o qual ganha a vida. ‘‘Tive de chamar a polícia e eles foram obrigados a deixar entrar.’’
Depois, com medo de tirar o carrinho do prédio e ser barrada novamente, acabou ficando uma semana sem trabalhar. Depois arrumou outro lugar para guardar o carrinho.
‘‘Eu estou de mudança. Já paguei R$ 8 mil pelo apartamento e vou perder tudo. Com eles não tem negociação’’, afirma Edna Aparecida de Oliveira da Silva, do mesmo bloco onde Augusto da Silva morava com a esposa.
O Residencial das Américas enfrenta problemas desde que foi lançado, em 1990. Primeiro foi o financiamento junto à Caixa Econômica Federal, que demorou sete anos para sair, em função de denúncias de superfaturamento, atrasando a entrega dos apartamentos em três anos. Desde 93, quando os moradores ocuparam os apartamentos, as prestações eram pagas em juízo. Outro problema é que muitas unidades, em pouco tempo, apresentavam problemas estruturais, como rachaduras e buracos nas paredes, bolor e manchas causadas por infiltrações. Moradores acusavam a construra Santa Cruz, responsável pela obra, de utilizar material de segunda mão.
Por último, moradores também se queixam quanto à forma de administração do condomínio, feita pela Mendes Neto. As famílias com taxa de condomínio ou prestação atrasada não podem se mudar do prédio e nem mesmo colocar no apartamento um móvel ou eletrodoméstico novo. Até mesmo o autómovel da pessoa com condomínio atrasado é impedido de entrar no local. Quem quer sair do imóvel, segundo alguns moradores, perde tudo o que foi investido.

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