'Eles dizem que vão me pegar lá fora'
Há 13 anos, um professor de língua portuguesa, que não quer ser identificado, enfrenta a reação de alunos diante de um pedido de silêncio e ordem na sala. Ele, que dá aulas em escolas de distritos rurais de Londrina, explica que é comum receber ameaças verbais de alunos. ''Eles dizem que vão me pegar lá fora ou que eu não vou continuar dando aula. Em algumas situações, vi alunos fazendo contato com alguns amigos na frente da escola. Isso intimida e contribui para piorar o clima de insegurança'', diz.
Assim como foi narrado por outros profissionais que têm que trabalhar no limite, o educador também se vê em uma situação de risco e confessa já ter pensado em desistir. Ele conta que em sala de aula toma alguns cuidados como não ficar muito tempo de costas para os alunos, pois explica que ''normalmente, eles atiram coisas nos professores.''
Entre tantos episódios vividos pelo professor dentro da escola, ele comenta duas situações que o deixaram muito abalado. ''Uma garota colocou um balde de lixo no alto da porta. Quando entrei na sala, caiu sobre mim e bateu no meu rosto. Outro fato é que já tive meu carro pichado.''
Ele reconhece que muitos alunos são bons e respeitam o professor, mas confessa que para desestruturar a turma toda, basta um. ''A violência na escola pública está generalizada, em qualquer espaço. Eu normalmente não demonstro que estou intimidado, mas fico receoso na entrada e saída do colégio. Tem que ter jogo de cintura para lidar com eles e sempre tentar retomar o diálogo. Tive que rever muita coisa para continuar dando aula'', comenta. (M.O.)





