Enquanto a população brasileira vai ficando mais velha, um novo fenômeno vem surgindo com base na experiência que só os mais vividos podem apresentar. A cada dia, as pessoas aprendem mais sobre a importância da qualidade de vida na terceira idade. E isso não está disponível apenas com os tratamentos médicos, comuns nessa fase da vida. Eles descobriram também os benefícios de atividades que antes eram vivenciadas apenas pelos jovens. Hoje os idosos viajam mais, vão a bailes, namoram e frequentam variados cursos.
A socióloga Maria de Lourdes Montenegro, que viaja por quase todo o Brasil proferindo palestras para idosos, diz que as novas oportunidades disponíveis para os indivíduos com mais de 60 anos fazem com que hoje não tenhamos mais a chamada ‘terceira idade’ e sim a ‘melhor idade’. Segundo ela, isso acontece porque nessa fase, as pessoas já não têm tantas responsabilidades, como estudar, trabalhar, criar os filhos e adquirir bens. ‘‘Na melhor idade, a pessoa já está aposentada e não tem mais a angústia dos jovens. É a tranquilidade da vida maior’’, comenta.
Kraw PenasAulas de ginástica, biodança e fisioterapia fazem parte das atividades que atraem as pessoas da melhor idadeO segredo da boa vida para os idosos, de acordo com Maria Montenegro, está no descobrir que a idade madura é sempre o ‘hoje’. O aposentado Angelo Turola, 79 anos, não tem dúvidas que achou o segredo da boa vida. ‘‘Estou vivendo minha melhor fase’’, comenta. Turola trabalhou durante 40 anos numa multinacional e desde 1967 está aposentado. Para não ficar parado, ele frequenta há 12 anos o Sesc da Terceira Idade, que oferece várias atividades. Ali, ele coordena a equipe que joga bocha.
‘‘Mas gosto também de participar dos bailes que acontecem todas as quartas-feiras’’, lembra. A dança preferida é o bolero que ele aprende com algumas amigas. Turola ri quando conta que as mulheres costumam reclamar que faltam homens para dançar. Bem humarodo, ele alfineta que as viúvas não podem reclamar porque, afinal, foram elas que mataram seus maridos.
Angelo Turola diz que não fica chateado por ter envelhecido. ‘‘Nunca tive uma vida tão boa. Tenho saúde, amigos e dias alegres’’, conta. A única coisa que sente falta é do trabalho. ‘‘Mas não penso em voltar porque na minha idade é difícil de conseguir alguma coisa’’.
A experiência de Angelo Turola é quase uma exceção, segundo a socióloga Maria Montenegro. Ela afirma que as mulheres são as que mais sabem aproveitar a terceira idade. ‘‘Elas são mais divertidas do que os homens, que envelhecem mais desiludidos’’, diz.
A professora aposentada Olga Silva Pinto, 72 anos, é um exemplo de que envelhecer saudável é uma realidade. Viúva há 23 anos, ela conta que resolveu participar das atividades do Sesc da Terceira Idade há 16 anos, um mês depois de ter se aposentado. ‘‘Não aguentei ficar parada. Se ficasse em casa estaria só assistindo televisão, o que eu não gosto’’, conta.

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