A imagem de avós que apenas brincavam e mimavam seus netos aos fins de semana, sem o ônus da responsabilidade da educação, está cada vez mais distante. Nos últimos anos os avós assumiram um novo papel no seio familiar. A antiga tarefa, que se restringia a entretenimentos e pequenos cuidados, agora ganha um peso maior: eles adquiriram obrigações e, com isso, se tornaram pais novamente. Em uma fase em que poderiam estar desfrutando de mais tranquilidade assumem, sem hesitar, a educação e criação dos filhos dos filhos.
Por este e outros tantos motivos, é que no dia 26 de julho, domingo próximo, comemora-se o ''Dia dos Avós'' - figuras tão importantes no desenvolvimento de qualquer pessoa. Assim como foram e são Mercedes e Santo Massaro na vida de Bruno, hoje com 21 anos. Criado pela avó desde pequeno, o jovem foi educado com os mesmos limites que os filhos, assim como lembra Mercedes, no auge de seus 72 anos. ''Nunca houve diferença nenhuma em educar meu neto. A responsabilidade foi a mesma de quando criei meus seis filhos'', afirma.
Ainda bebê, dona Mercedes já cuidava do neto para a mãe trabalhar. Mas foi anos mais tarde, com o falecimento da nora, que os cuidados se tornaram permanentes. ''Nessa época ele estava com cinco anos de idade e precisava de muita atenção. Como meu filho também trabalhava o dia todo, fiquei responsável por tudo o que dizia respeito a ele, como se realmente fosse a mãe dele. Na verdade eu sou a mãe, ele só não saiu de mim'', fala. Apesar da declaração, Mercedes garante que nunca tentou substituir o lugar da mãe. ''Ninguém substitui ninguém, mas sempre tentei dar toda minha dedicação.''
O pai continuou morando com a família e até chegou a se mudar quando Bruno era adolescente, mas a ida do então garoto não deu certo. ''Não aguentei ficar longe da minha casa. Aqui é onde tinha meus amigos e todos meus parentes. Já estava acostumado a tudo isso e muito apegado a todos'', comenta o jovem. E assim os anos foram passando, e dona Mercedes ganhou ainda mais responsabilidade na criação do neto. ''Sempre fiz tudo o que uma mãe faria. Ele se tornou meu filho caçula, e me respeita como se eu fosse a mãe dele'', conta.
E, para isso, a dona de casa lembra que não baixava a guarda. ''Ele era um pouco preguiçoso para estudar, mas sempre foi inteligente. Apesar disso, não deixava de cobrar empenho dele.'' Bruno terminou os estudos e chegou a começar duas faculdades, que ele garante que volta no ano que vem. Hoje, é gerente de uma loja em um shopping da cidade e é só orgulho para avó. ''Fico feliz em ver que ele escolheu o caminho certo e que meu esforço valeu a pena.''

mockup