Uma das mudanças da administração de Péricles de Holleben Mello (PT), prefeito eleito de Ponta Grossa, no próximo ano, será no camelódromo da cidade. Localizado na Praça João Pessoa, ao lado do terminal central de ônibus urbano, o camelódromo reúne atualmente cerca de 150 vendedores ambulantes. A proposta de Péricles é retirar as barraquinhas desse local e abrir a possibilidade dos camelôs trabalharem em outros pontos da cidade. O camelódromo foi reestruturado na praça João Pessoa durante a atual administração.
No ano passado, a Câmara de Vereadores instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de irregularidades na indicação de camelôs e compra ilegal de espaço para novas barracas. O relator da CPI, vereador Gerveson Tramomtim Silveira (PT), diz que os depoimentos comprovaram as denúncias de irregularidades. Foram envolvidos funcionários da prefeitura e da direção da associação de camelôs. As denúncias eram de que a direção da associação de camelôs estaria desrespeitando a fila de espera e vendendo os espaços, o que é proibido por lei.
‘‘Enviamos o relatório ao Ministério Público, mas a denúncia está parada até hoje’’, disse. ‘‘As recomendações que fizemos à prefeitura para terminar com a corrupção no camelódromo não foram acatadas e os problemas continuam.’’ Além destas irregularidades, a praça João Pessoa faz parte da Estação Saudade, uma das mais antigas estações ferroviárias do Paraná e que foi tombada como patrimônio histórico.
O vereador Gerveson, que é líder do PT na Câmara e foi reeleito, diz que o plano de governo de Péricles tem duas propostas para a retirada dos camelôs da Praça João Pessoa. As barracas podem ser transferidas para o piso superior do Terminal Central de Transporte Coletivo ou para uma área da Praça Governador Manoel Ribas. Tanto o terminal quanto a praça ficam ao lado do atual camelódromo. ‘‘A diferença é que nesses locais não há problemas com o patrimônio histórico e os espaços poderão ser ocupados de forma mais racional’’, afirma o vereador.
A proposta é descentralizar as áreas para trabalho dos camelôs. Outros dois terminais de transporte urbano, localizados nos bairros, terão espaço para instalação de barracas. ‘‘Vamos ouvir o que os vendedores ambulantes têm a dizer antes de tomar decisões, mas até mesmo eles concordam que algumas mudanças precisam acontecer’’, afirma o vereador.

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