Andrea Name, reitora eleita da UEL (Universidade Estadual de Londrina), em eleição ocorrida na noite desta quarta-feira (8), afirmou, em entrevista ao Grupo Folha de Londrina, que a gestão, que terá início em 10 de junho, deverá ser marcada por mudanças. Segundo ela, a grande maioria dos cargos comissionados da universidade será renovada. Esta era uma das bandeiras da chapa “Nossa Casa UEL”.

O resultado da votação recorde foi divulgado pouco depois das 22h. De acordo com a Comissão Eleitoral, foram 12.285 votos, sendo 9.155 somente de estudantes, ou seja, 42% de todo o corpo estudantil. Professores e técnicos também marcaram presença. O quórum deste ano foi recorde, com 86% dos docentes (1.376) e 76% dos técnicos (1.667) participantes. Em 2022, a eleição que elegeu Marta Fávaro como reitora teve 9.939 eleitores. Neste ano, a chapa 1, de Name e Miguel Belinati - o vice-reitor eleito -, anotou 41,08 pontos contra 30,56 da chapa 2. Os vencedores obtiveram maioria entre os três grupos votantes. Vale ressaltar que professores, técnicos e alunos têm pesos diferentes na composição do resultado.

Para Name, os "números expressivos" reforçam o desejo da comunidade acadêmica por novos rumos. Ela diz que essa promessa será levada a sério. “Dificilmente [algo será mantido]. Ganhamos com a campanha de renovação. É claro que, se algumas posições estiverem sendo desempenhadas muito bem, por que não continuar? Mas a grande maioria será renovada”.

Ela relaciona esse cenário ao desgaste de gestões anteriores. “Faz 12 anos que a UEL está com o mesmo grupo. Por isso, grande parte dos cargos indicados pela reitoria não mudou. Isso leva um desgaste para a universidade, porque são necessários novos olhares”.

A reitora eleita destaca que a "mudança" não se limita a nomes, mas também à forma de gestão. A proposta, segundo ela, é ampliar o diálogo e modernizar a universidade, mantendo o compromisso com o ensino público e gratuito.

“Acreditamos na universidade pública, gratuita, de qualidade e democrática. Temos objetivos de ouvir sempre as demandas para novos cursos e trazer inovação. Vamos focar na permanência estudantil”, afirma. “Mais do que isso, queremos que o nosso aluno entre, mas consiga permanecer e se formar, diminuindo cada vez mais o índice de evasão”, continua.

Corrida eleitoral

O vice-reitor eleito, Miguel Belinati, atribuiu a vitória a uma campanha próxima da comunidade acadêmica. Segundo ele, o contato direto com estudantes, professores e servidores foi determinante para o resultado positivo.

“Fizemos um trabalho intenso nos centros, em órgãos suplementares e de apoio. Visitamos o EAJ [Escritório de Aplicação de Assuntos Jurídicos], Casa de Cultura e HU [Hospital Universitário]. Foi um trabalho muito intenso de diálogo e olho no olho”, diz.

Ele também ressalta que a chapa evitou negociações políticas durante o processo. “Não dialogamos com ninguém a respeito de cargo, posições e funções. O que nós nos comprometemos é ouvir os setores da universidade”.

Próximos passos

Entre as prioridades da nova gestão está o fortalecimento da relação da universidade com a cidade e a ampliação do protagonismo institucional. Para Name e Belinati, a administração será baseada em apostas em tecnologia, inovação e desburocratização.

“O foco é retomar o relacionamento com a sociedade e a cidade de Londrina e que ela seja um motor do movimento, que possa retomar esse protagonismo fundamental”, diz Belinati.

Outro ponto central será a valorização da vida estudantil. O vice-reitor salienta que o ato de "se sentir UEL" é muito importante para a permanência dos graduandos. “Muitas das nossas propostas vieram do diálogo com os estudantes. Inclusive, na questão do pertencimento, é importante que a universidade dê condições para que os estudantes possam desenvolver as suas atividades”.

Orçamento

A nova gestão terá como desafio a questão orçamentária e a relação com o governo estadual, especialmente em relação à LGU (Lei Geral das Universidades). Belinati aposta em um plano de revisão da lei em 2026, em negociações com o estado.

“Vamos dialogar com o governo do estado com relação à LGU. A lei prevê uma revisão em 2026, nós ainda não sabemos como será essa revisão, mas estamos esperançosos por ela”, afirma.

Andrea Name reconhece as dificuldades financeiras e estruturais da universidade. De acordo com ela, enquanto a negociação não sai do papel, a ideia é investir em planos estratégicos de administração para redesenhar as funcionalidades da UEL.

“Faremos um planejamento estratégico para saber como vamos sobreviver até sair essa articulação, porque essa conversa com o governo pode demorar anos. O número de funcionários está muito apertado. Está muito difícil, mesmo”.

Polêmicas na campanha

Márcia Dib, presidente da Comissão Eleitoral da UEL, argumenta que a corrida ao cargo mais importante da universidade foi inédita. Ela afirma que houve uma participação histórica de estudantes, que foi importante para o resultado.

"Os alunos quase não se envolviam. Neste ano, foi surpreendente. Mesmo sendo abaixo de 50%, foi um número significativo. Foi muito diferente, porque as chapas estavam mais engajadas com os estudantes."

A campanha eleitoral, entretanto, foi marcada por diversas polêmicas e episódios de tensão, com acusações pessoais contra candidatos e até mesmo denúncias de censura. De acordo com Dib, todo o processo foi saudável e esperado para eventos do tipo.

"Não vejo essa disputa como rivalidade, mas como uma disputa saudável entre uma chapa e outra para disputar uma posição dentro da universidade", explica. Para a reitora eleita, porém, os assuntos levantados durante o processo extrapolaram o debate acadêmico.

“Não concordo que tenha sido uma disputa saudável. Foi uma disputa cruel. Acho que nós tivemos uma violência política de gênero muito grande”, diz, emocionada.

Ela ainda pontua que foi alvo direto de ataques durante o processo. Apesar disso, diz que o resultado nas urnas foi uma resposta da comunidade universitária. “Essas polêmicas que aconteceram durante a eleição foram tentativas de desqualificar a nossa chapa. Isso foi muito intenso nesta eleição. Foi uma rede de intrigas sem nada concreto. Isso foi muito violento, mas a resposta veio na urna.”

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