Eleições dividem candidatos parentes
Eleições dividem candidatos parentes
Familiares pedem voto de agropecuaristas em chapas diferentes. Mas garantem que a divergência eleitoral não provoca brigas
Carina Paccola
César AugustoTioMoacir Turquino, da chapa Celso Garcia Cid: Democracia é assim Famílias tradicionais de agropecuaristas se dividem na eleição da nova diretoria da Sociedade Rural do Paraná (SRP), que acontecerá neste sábado em Londrina. Os eleitores - cerca de 900 associados - podem optar entre duas chapas: Celso Garcia Cid e Desperta Rural.
Para atrair o voto dos produtores rurais, os candidatos têm que ressaltar as diferenças de propostas. O que não vale é invocar a origem familiar: em vários casos, há parentes dos dois lados.
Os candidatos parentes afirmam que a disputa vai terminar no sábado. Seja qual for o resultado, com certeza, um vai cumprimentar o outro com um abraço, afirma o candidato a vice-presidente da chapa Celso Garcia Cid, José Moacir Turquino. Na chapa oposta, o sobrinho Ivo Vicentini concorre ao cargo de diretor de relações internacionais.
Arquivo FolhaSobrinhoIvo Vicentini, da chapa Desperta Rural: No fim, estaremos unidosTambém na oposição, o candidato à diretoria de fomento e formação profissional, Fábio Barbante de Barros, é genro do irmão de José Moacir Turquino. Esse meu irmão vai votar na outra chapa. Mas a minha vai levar a maioria dos votos da família. Não há problema em ter pessoas da mesma família em chapas diferentes. Democracia é assim, diz Turquino.
O sobrinho de Turquino, Ivo Vicentini, não arrisca um percentual de votos da família para cada chapa. O voto é secreto. Muita gente da família pode se sentir constrangida em declarar o voto para um ou outro. Temos maturidade suficiente para não polemizar. Quero crer que, depois da eleição, a Sociedade Rural é quem vai sair ganhando, já que as duas chapas querem o mesmo objetivo: o progresso das propriedades.
Vicentini diz que a família sempre foi muito unida e trabalhou para melhorar a agropecuária. Sempre inovamos no uso de tecnologia e nunca deixamos de participar de movimentos que beneficiem nossa atividade, afirma ele. Apesar de a ideologia do meu tio ser diferente da minha, não há nada em desacordo. Somos unidos. No fim da eleição, quem ganhar terá o apoio do outro lado imediatamente, ele assegura.
O agropecuarista Lino Favoreto conta que já decidiu seu voto, em favor da chapa Desperta Rural. Favoreto tem um irmão e dois sobrinhos nessa chapa - Pedro, Ângelo e Maurílio - e mais um sobrinho, Antonio Favoreto, na Celso Garcia Cid. Tenho amigos e parentes nas duas chapas. Garanti o voto para o Francisco Galli (candidato a presidente da oposição) primeiro. Quando o Octávio Cesário Pereira Neto (candidato a presidente da situação) veio falar comigo, já havia prometido para o Galli e não podia voltar atrás. Confesso que fico contente com qualquer resultado, afirma ele.
Lino Favoreto afirma que na família há cerca de 20 eleitores. Acredito que os votos estejam divididos em metade para cada chapa. Acho bom haver duas chapas porque todos têm propostas para a Rural. Há muito o que fazer lá. Antonio Favoreto acha que vai conquistar a maioria dos votos da família para a Desperta Rural. Há divergências de propostas, mas não é nada familiar.
O atual presidente da Sociedade Rural, Luiz Roberto Neme, que é candidato à diretoria de patrimônio pela chapa Celso Garcia Cid, é tio de Edson Neme Fernandes Ruiz, candidato a vice-presidente da Desperta Rural. Luiz Neme lamenta o fato de haver duas chapas concorrentes. O momento hoje é de união da classe. A eleição aviva a Rural, movimenta os sócios, mas quem perde nunca perde satisfeito. Acaba deixando de participar, o que contribui para enfraquecer a entidade. Mas não há problemas entre as famílias. Gosto muito do meu sobrinho, afirma o atual presidente da SRP.
Edson Neme Ruiz não quis fazer qualquer declaração à Folha sobre as candidaturas de parentes em chapas opostas.





