Eleição para diretores causa polêmica
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terça-feira, 12 de dezembro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
A proposta de eleição indireta para diretores das escolas da rede estadual foi recebida com críticas por entidades do setor de Educação. Somos contra este mandato tampão. Está faltando seriedade à Educação do Estado, disse o presidente da Associação Paranaense de Administradores Escolares (Apade), Davi Niece. A inscrição das chapas começou ontem e termina na quinta-feira.
Determinada em resolução da Secretaria de Educação do Estado na sexta-feira passada, a escolha vai ser feita entre os dias 16 e 22 deste mês por um colégio eleitoral formado por representantes de professores, funcionários, pais, alunos e dos núcleos regionais de Educação. A posse está marcada para o dia 8 de janeiro. Niece definiu a mudança nos processos como um ato de arbitrariedade.
Não tem outro nome: é uma farsa. Voltamos à época da ditadura, atacou o presidente da Associação Paranaense dos Professores (APP-Sindicato), Romeu Gomes de Miranda, temendo que o governo passe a ter um controle maior sobre os diretores. Ele disse que as associações de pais e mestres deveriam boicotar a eleição. Miranda sugeriu que os atuais diretores deveriam ser mantidos até 30 de março, quando seria realizada nova eleição. A Apade é a favor de um mandato provisório, mas de pelo menos um ano.
A lei estadual 7961/84 determina que, a cada três anos, os novos diretores sejam definidos com o voto de todos os alunos, pais, professores e funcionários das escolas. De acordo com a secretária de Educação, Alcyone Saliba, final de ano não é a melhor época para a eleição. Tanto escolas, quanto pais estão muito atarefados em dezembro, afirmou Saliba, referindo-se ao período de formaturas, férias, transferência de professores e matrículas. Pelos planos da secretária, as eleições indiretas vão estabelecer uma espécie de transição para criar um novo calendário eleitoral nas escolas na metade do ano e não mais em dezembro. Alcyone descartou prorrogar a permanência dos atuais diretores. Ela entende que o ato seria transformado em nomeação sem processo eleitoral.
Os diretores escolhidos pelo colégio eleitoral neste mês permaneceriam nos cargos até o primeiro semestre de 2001. Novas eleições, desta vez diretas, vão ser convocadas no mês de maio com a participação de candidatos previamente avaliados por um teste de competência da secretaria. Os vencedores assumiriam em julho para um mandato de três anos.
O chefe de gabinete da secretaria, Cláudio Bonfati, disse que o teste de competência vai reunir condições de selecionar os candidatos mais preparados. Ele garantiu que depois do processo, a comunidade continuará escolhendo normalmente os novos diretores. Ele lembrou que o Supremo Tribunal Federal (STF) já considerou inconstitucional a eleição direta para diretor no Paraná na época do governo de Roberto Requião (PMDB). É de competência do governo o poder de nomear representantes para cargos comissionados, disse.


