Eleição em escola será investigada
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sexta-feira, 02 de abril de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Cambé Uma equipe da Secretaria de Estado da Educação (Seed) deve vir à região na próxima segunda-feira para iniciar uma sindicância a respeito das eleições para a diretoria do Colégio Estadual Antônio Raminelli, localizado no Jardim Ana Rosa, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). O pleito foi realizado em fevereiro e anulado, na sequência, pela Seed devido a denúncias de que a candidata vencedora, Teresinha Delfini, diretora da escola há dez anos, teria comprado votos para se reeleger.
O clima ficou tenso esta semana no colégio porque a diretora foi reconduzida ao cargo por força de uma liminar, o que teria deixado os estudantes insatisfeitos. Num protesto realizado anteontem, houve tumulto e um rapaz de 19 anos, que não estudaria na instituição, foi detido porque teria atirado um tijolo na testa de um policial militar. Segundo alguns alunos, na noite anterior à confusão, estudantes do período noturno quebraram janelas e portas da escola.
Duas estudantes da 6 série, que coordenaram o protesto anteontem, disseram que a intenção era fazer um manifesto pacífico. Elas participaram do protesto pela manhã, e relataram que a confusão ocorreu à tarde. ''Umas pessoas de fora da escola vieram fazer bagunça. Além disso, os estudantes que não são da manhã são agressivos, e a gente não concorda com isso'', disseram.
Diante da possibilidade de mais problemas, o Núcleo suspendeu as aulas no colégio até a próxima segunda-feira. Ontem, os poucos funcionários que estavam na escola, com os portões trancados, se recusaram a conversar com a imprensa.
Segundo Rony dos Santos Alves, chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), vários alunos testemunharam que teria havido realmente a compra de votos, o que motivou a anulação da eleição. Um novo pleito será realizado no dia 13 de abril. ''Uma outra eleição foi marcada porque a liminar favorável à diretora apenas lhe deu de volta o cargo, não anulou a legitimidade de um novo pleito.''
De acordo com Alves, a diretora só não poderá concorrer novamente se a sindicância da Seed gerar processo contra ela. Paralelamente à investigação, a secretaria tentará derrubar na Justiça a liminar que permitiu a volta da diretora. No Colégio Antônio Raminelli, estudam mais de 1.200 estudantes de 5 a 8 séries e de Ensino Médio.
Segundo o delegado Valdir Abrahão, a Polícia Civil abriu inquérito para investigar denúncia de crime de injúria e calúnia feita pela diretora contra as testemunhas que a acusaram. Na mesma investigação, será apurada a suspeita de compra de votos.
Entrevistada pela Folha, Teresinha Delfini negou que teria fraudado a eleição e preferiu não comentar quais motivos estariam por trás das acusações. ''Estou há dez anos na direção do colégio e o transformei. Hoje, é uma das melhores escolas estaduais do Paraná. Estou analisando as providências que irei tomar.''


