O Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente de Campo Mourão está há uma semana sem poder prestar atendimento à população por causa da falta de conselheiros. A chapa que venceu a eleição realizada no mês passado deveria ter tomado posse na quinta-feira, mas foi impedida devido a um recurso apresentado pelos candidatos derrotados. Anteontem à noite, a eleição foi anulada pela promotora da Vara da Família, Lígia Camargo.
‘‘Estamos vivendo uma situação de descaso com a criança e o adolescente’’, protesta o ex-padre e atual educador social da prefeitura de Campo Mourão, Samuel Kozelinski, que havia sido eleito para presidir o conselho. ‘‘O Conselho é um órgão permanente e não poderia ficar sem atendimento’’, completa. Somente ontem à noite é que o Conselho Municipal da Criança e do Adolescente iria se reunir para marcar uma nova eleição, que pode demorar 30 dias.
‘‘Até lá, quem é que vai assumir a responsabilidade pelas crianças e adolescentes?’’, questiona Kozelinski. A diretoria anterior do Conselho Tutelar trabalhou apenas até quarta-feira, quando venceu seu mandato. Desde então, estão no órgão apenas um secretário e um motorista, que são funcionários cedidos pela prefeitura. Em média, cerca de 20 pessoas procuram diariamente o conselho. Na segunda-feira, 40 estiveram no órgão, mas sem atendimento.
Concorrente Kozelinski diz que vai concorrer novamente. Na eleição realizada no mês passado, ele venceu por 13 a 6. A chapa derrotada alegou que Kozelinski alterou a composição de sua diretoria fora dos prazos legais e que a entidade que indicou a chapa vencedora é presidida por uma pessoa - Elza Hanel - que também faz parte da comissão de eleição do Conselho Municipal. ‘‘Isso não justifica a anulação da eleição’’, reclama Kozelinski.
A ex-presidente do Conselho Tutelar, Mariza Eliete do Nascimento, diz que entregou o cargo sabendo que a nova diretoria não poderia assumir e que o órgão ficaria sem atendimento. ‘‘Nosso mandato acabou e não tínhamos autoridade para continuarmos no cargo’’, frisa. Segundo ela, o Conselho Municipal é que poderia ter prorrogado o mandato da antiga diretoria até que o impasse fosse resolvido. ‘‘Como isso não foi feito, tivemos que sair’’.

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