Elefanta será aprendida em circo
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quinta-feira, 30 de abril de 2009
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A elefanta Bambi, que permanecia em situação legal indefinida em Curitiba, depois que seu proprietário, o Circo Moscou, não apresentou sua documentação original aos órgãos responsáveis, deverá ser apreendida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) hoje pela manhã. De acordo com um laudo produzido pelo departamento de zootecnia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a elefanta estaria com baixo grau de bem-estar e alta probabilidade de sofrimento.
De acordo com o superintendente do Ibama no Paraná, José Álvaro Carneiro, Bambi será apreendida em definitivo e encaminhada a um santuário localizado em Itatiba (SP). Segundo ele, o circo não será multado pelo ocorrido. ''A principal multa é a apreensão do bicho'', afirmou.
No início do mês passado, um laudo preliminar atestou que a elefanta não estaria sofrendo maus tratos, no entanto, uma segunda avaliação, datada de 13 de abril, fez uma análise mais criteriosa das condições do animal e atestou a existência de abuso, maus tratos e crueldade, como a inexistência de enriquecimento ambiental, falta de contato com outros seres vivos, nenhuma superfície macia para descanso e espaço insuficiente para sua criação.
Bambi dispunha de 144 metros quadrados de espaço, quando o circo estava sediado em alguma cidade, e apenas 24 metros quadrados quando em trânsito. De acordo com o laudo da UFPR, fêmeas de elefante em vida livre utilizam áreas de 30 quilômetros quadrados. Também foram observadas superfícies cortantes ou de risco, como cabos de aço, fazendo a contenção do animal.
Na opinião de Carneiro, Bambi precisa servir de exemplo. ''O elefante precisa ser porta-voz dessa relação da sociedade com os animais'', disse. O Circo Moscou já recebeu duas multas, uma do Ibama no valor de R$ 5 mil, pela falta da documentação necessária da elefanta, e outra de R$ 400, aplicada pela Prefeitura de Curitiba devido à falta de alvará para funcionamento.
A presença da Bambi também contraria uma lei municipal, aprovada em 2007, que proíbe o uso de animais em espetáculos circenses. Procurado pela reportagem, o proprietário do Circo Moscou não atendeu ao telefone nem retornou às ligações.


