Ele morreu de graça
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sexta-feira, 30 de maio de 1997
Paulo Ubiratan 
Arquivo particular/ReproduçãoVítima fatalO policial Marcos da Silva Freire: tido como soldado exemplarMeu Deus, meu marido morreu de graça. Ele estava de folga e foi obrigado a trabalhar, desabafou Dileá Máximo Freire, esposa do soldado da Polícia Militar Marcos da Silva Freire, morto por ladrões ontem pela manhã, durante assalto ao posto avançado do Banestado, na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Indignada com a situação, ela contou que seu marido saiu contrariado de casa, às 8 horas, uma vez que só deveria retornar ao trabalho às 18 horas do mesmo dia, para completar as 24 horas de descanso a que tinha direito. Ele havia trabalhado até 18 horas de quinta-feira. Freire tinha nove anos de Polícia Militar e era tido como um soldado exemplar.
Dileá e o esposo estavam casados há seis anos e há menos de cinco meses concluíram as obras da casa que levaram quatro anos construindo. Com o fim das obras, tinha chegado a hora de começarmos a viver a vida. Trabalhamos a vida toda para construir a casa e agora acontece esta tragédia. A nova casa fica na rua Antônio Sisti, 140, no jardim Tocantins (zona norte).
Marcos BorgesTragédia familiarDileá Freire com os filhos: Marcos foi obrigado a trabalhar
A menina Duene (8 anos) e menino Dérik (5 anos), choravam grudados na saia da mãe. Duliam (um ano e seis meses) estava indiferente ao que acontecia e passava a mão no rosto de Dileá, enquanto ela chorava e falava com a reportagem. A mãe confirmou que tinha muitos planos para dar uma boa educação aos filhos. Com a conclusão da casa, sobraria um pouco de dinheiro para que as crianças frequentassem um bom colégio. Não sei o que vai ser daqui para a frente, disse Dileá.
O capitão Edwaldo Machado, do setor de comunicação do 5º Batalhão da Polícia Militar, explicou que é normal o policial militar fazer escala extra para complementar as 44 horas da jornada semanal. Antes o policial trabalhava 12 horas seguidas e descansava 24 horas. Através de estudos da própria corporação, descobrimos que a jornada estressava muito. Hoje, o nosso pessoal trabalha seis horas e descansa 24 horas e repõe as horas que faltam pela escala extra.


