Ele já não é menino, mas ainda investe na coleção
Kraw PenasAndré Bufren compra cerca de 50 revistas novas por mês, investindo entre R$ 150 a R$ 200 regularmente. A coleção dele já tem mais de sei mil exemplaresO engenheiro civil André Bufren, 27 anos, calcula que gastou cerca de R$ 20 mil para formar a sua coleção que possui mais de seis mil exemplares de histórias em quadrinhos de super-heróis. Bufren conta que como a maioria dos colecionadores de HQs, começou a comprar as suas primeiras revistas ainda na adolescência. O primeiro exemplar foi do personagem Conan, o Bárbaro. Desde então, o vasto universo dos comics se encarregou de transformar o seu quarto em uma bagunça total e de fazer com que meses e meses de mesadas se transformassem em gibis.
Ele conta que teve que enfrentar os pais para manter a coleção no quarto. Tudo estava sempre na maior bagunça com gibis por todos os lados e os meus pais começaram a implicar. Bufren diz que seu pai ficou viúvo e a segunda mulher teve uma visão madrasta de sua mania de colecionar HQs. Agora ele está para se casar de novo, mas nós já combinamos que a nova mulher será bem recebida desde que não se importe com a minha coleção.
Bufren explica que quando está com vontade de ler algumas revistas é capaz de passar horas trancado no quarto, não procurando, mas lendo os seus gibis preferidos. Normalmente consigo achar o que quero em poucos minutos. Esta coleção mantém um ritmo acelerado de crescimento, uma vez que o engenheiro compra cerca de 50 revistas novas por mês, investindo entre R$ 150 e R$ 200 regularmente. Muitas vezes os exemplares vêm de São Paulo ou de outros países, pois quando está passando por alguma cidade ele sempre reserva um tempo para visitar um sebo ou loja especializada.
Já o artista plástico Carlos Morevi, 24 anos, conta que chegou a ter 600 exemplares, que serviam de inspiração e consulta do seu trabalho. Sou mais ligado aos quadrinhos preto e branco, de editoras obscuras. Entre seus títulos preferidos, Morevi cita os clássicos Watch Man, de Alan Moore e Dave Givens, em que o herói não possui superpoderes e a sociedade é uma sociedade sem honra. V de Vitória foi proibido na Inglaterra por conter informações sobre terrorismo. Morevi conta que apesar de gostar muito dos títulos da sua coleção, recentemente teve que vender 30 exemplares que correspondiam à coleção completa de Sandman por estar desempregado. Consegui R$ 210 pela coleção e vendi. (G.V)





