No Hospital Universitário (HU) de Londrina uma cena chama a atenção no setor de Pediatria. Dividindo um dos quartos com outras três crianças, um garoto de apenas 12 anos recupera-se de uma cirurgia na mão direita, atingida por uma bala de revólver calibre 38. O menino, que foi encaminhado ao hospital pelo Siate, pouco depois das 21 horas de quinta-feira, retirou estilhaços da mão e se recupera bem, apesar de ainda não ter previsão de alta. O crime teria sido uma espécie de acerto de contas.
Ontem pela manhã, a criança recebeu da assistente social do hospital um brinquedo para que ele se distraísse enquanto permanece internado. Durante a noite, nenhum parente da criança foi ao HU. A mãe do menino chegou ao HU por volta das 11h40 de ontem. Ela disse que o filho estava com um par de tênis guardado em casa e que o dono do calçado, um morador da região e seu amigo apareceram lá. A mulher garante que o tênis foi entregue ao seu filho por um outro rapaz, maior de idade. ''Eu já tinha falado e ele disse que ia devolver o tênis. Não acho certo o que o meu filho fez, mas ele não precisava fazer isso'', disse, referindo-se ao tiro na mão.
Segundo a mãe, o garoto estava na casa com a irmã de 15 anos. Franzino e bastante assustado, o garoto contou que os homens entraram na casa e o convidaram para dar uma ''voltinha de carrro''. ''Eu disse que não ia e eles me arrastaram'', disse. O menino afirma que apanhou muito dos dois e de outras pessoas que estavam no local onde aconteceu o disparo, no Jardim Itaparica (Zona Norte). ''Eles me davam chute, soco na cara, no ouvido, cortaram minha orelha. Depois falaram que iam me dar um tiro só prá eu tomar vergonha na cara'', afirmou o garoto.
Antes de atirar, um dos rapazes teria perguntado em qual das mãos o garoto queria levar o tiro. ''Depois disso, ele puxou a minha mão com força, encostou o revólver e atirou. A bala saiu do outro lado'', contou o menino, que disse ter saído correndo para buscar ajuda. Os dois homens fugiram de carro. Em uma das casas onde bateu, o menino conta que não foi atendido. Só na segunda residência ele foi socorrido por moradores, que chamaram o Siate. ''Estava doendo muito. Eu ficava balançando a mão mas a dor não parava. Amarraram um pano e depois o médico chegou'', relatou.
O garoto admite que cometia pequenos furtos, mas garante que não vai mais fazer nada de errado. A polícia acredita que o crime tenha sido um acerto de contas por causa de drogas ou dos furtos. O menino e a mãe deverão prestar depoimento na segunda-feira. O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Sérgio Barroso, informou que os autores foram identificados. ''Acredito que eles queriam dar uma lição no menor e usaram meio ilegais. Por isso, serão responsabilizados. A forma correta de punição seriam as medidas sócio-educativas previstas no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). A ninguém é lícito fazer justiça com as próprias mãos'', declarou. (Colaborou Fernando Rocha Faro)

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