Uma nova chance de viver. Esse foi o maior presente que o garoto João Daniel de Barros, de sete anos, ganhou de Natal. Conhecido como João Bombeirinho, o menino de Maringá (Noroeste) se recupera de um transplante realizado há dois meses, em Curitiba, e se tornou um símbolo da doação de medula óssea.
Segundo Ana Paula Estebam, mãe de João, este será o primeiro Natal que o menino passa em casa. Ele já recebeu alta, mas deve permanecer na capital até fevereiro, já que ainda precisa ir diariamente ao hospital para acompanhamento. No dia 10 deste mês a família recebeu a notícia que tanto aguardava, a confirmação de que o transplante deu certo. O menino ainda luta contra a ''Doença do Enxerto'', comum em transplantados, mas está feliz e se alimentando bem, apesar das lesões na pele, afirma ela.
''Descobrimos a doença quando ele tinha 1 ano e 11 meses e, desde então, todos os natais ele passou internado. No ano passado a médica o liberou para que o levássemos para conhecer a praia, ele adorou, mas ficamos apenas alguns minutos. Com a confirmação de que o transplante deu certo, esse será o primeiro Natal que passaremos com o coração menos apertado, já que estávamos sempre apreensivos, aguardando um doador'', conta.
Para comemorar a data tão simbólica, Ana diz que o filho fez questão de ter uma árvore de Natal na casa provisória e também de escrever a cartinha para o Papai Noel. ''A nossa árvore ficou em Maringá, mas ele pediu para eu comprar uma aqui e montamos juntos. Agora vamos aguardar meu marido, que virá para festejar conosco. Vamos fazer uma comemoração à vida, pedir que continuemos sendo abençoados e lembrar do nascimento de Jesus'', explica.
Ana conta que sempre procurou mostrar para João que, embora ele estivesse doente, não era diferente de ninguém. ''Sempre baseei a minha vida naquele filme 'A vida é bela'. Por mais que as coisas estejam difíceis, devemos ver o lado bom das coisas. Temos que mostrar que ele não é uma vítima nem um coitadinho. Ele é um guerreiro, é valente e forte.''
Mesmo tendo vencido uma batalha contra a leucemia, ela afirma que o garoto não se esqueceu dos amiguinhos que ainda não conseguiram doadores e que deseja continuar com a campanha de medula óssea assim que for liberado pelos médicos. ''Ele se preocupa com as outras crianças, faz doação de brinquedos. Fico emocionada de meu filho ter essa consciência de amor ao próximo.'' (E.G.)

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