Um amigo da família do historiador e fotógrafo Bruno Ferraro, 23 anos, lhe deixou uma herança tão inusitada, que sua vida nunca mais foi a mesma Ainda criança, ele conheceu Breno, representante de vendas que trabalhava com o pai dele ''Ele era mais velho e dizia que meu pai era o filho que ele não teve e eu o neto ''
Numa de suas visitas, Breno incorporou seu lado mágico e conquistou o filho do amigo, que muitas mágicas depois, aos 14 anos, decidiu ter aulas com o vendedor ''Eu o visitava uma ou duas vezes por semana e enquanto não dominasse uma mágica ele não me ensinava outra ''
Ferraro lembra que o avô postiço havia comprado um kit de mágicas numa de suas viagens de trabalho e gostou tanto que resolveu investir em truques mais elaborados ''Ele começou a fazer mágica de graça em festas de aniversário, asilos, creches e escolinhas'', recorda o historiador
E ele não só comprou inúmeros kits de mágica como criou tantas outras engenhocas, as quais, depois de sua morte, foram entregues a Ferraro, pois nem os filhos nem os netos do velho mágico se interessavam pelos truques com a mesma paixão que o neto de coração
''Perdi os meus avós ainda pequeno, por isso tenho muita satisfação em ter conhecido o Breno, até gostaria que ele tivesse sido meu avô de verdade'', declara Ferraro ''Não o admiro só pelo mágico que foi, mas pelo homem encantador que era, sempre de alto astral'', declara o historiador, que seguiu os passos de Breno e hoje atua como mágico em projetos de voluntariado ''Todo mágico tem suas palavras mágicas e em homenagem ao vô Breno, as minhas são 'tico tico sarapico pó de mico', as mesmas que ele usava nos truques dele '' (Mariana Guerin)

mockup