Elas querem voltar
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quinta-feira, 16 de abril de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Vez ou outra enxergamos nas ruas uma sombrinha perdida na multidão num dia de sol. Normalmente são usadas por senhoras que, relembrando um pouco o hábito do século passado, quando caminhar debaixo da sombrinha era considerado elegante, apostam no acessório para proteger a pele. Já os mais jovens preferem o uso do protetor solar ou até de chapéus ou bonés, mas a maioria simplesmente passeia ao sol sem proteção alguma contra os raios ultravioleta.
Esteticista, Jacira de Souza, 53 anos, coloca em prática os conselhos que dá às clientes do centro de estética onde trabalha. É comum vê-la caminhando pela cidade com a sombrinha em mãos em dias ensolarados. ''Uso direto. Tenho problema de manchas no rosto e para onde vou, carrego a sombrinha comigo, na bolsa'', confessou Jacira, que também abusa do filtro solar.
''De uns 15 anos para cá minha pele foi piorando e tive a ideia de adotar a sombrinha'', contou a esteticista, que influenciou as amigas da Vila Casoni, onde mora. ''Quando a gente sai a pé, todo mundo abre a sombrinha.''
Jacira lembrou que já foi questionada por pessoas na rua: ''Outro dia um rapaz brincou dizendo que eu estava chamando chuva com a sombrinha aberta no sol. Mas eu não ligo, explico que preciso usar e sigo andando.''
Para Jacira, o uso da sombrinha não tem idade: ''Tem tanta mocinha usando'', constatou a esteticista, que prefere os modelos com bloqueador solar, que são mais caros, mas protegem mais.
Aos 62 anos, a dona de casa Rosalina Oliveira Feijó adota a sombrinha quando o sol é escaldante. ''Não costumo usar filtro solar, só hidratante'', disse Rosalina, que se protege com a sombrinha ''desde que me conheço por gente''. ''Carrego uma pequena sempre na bolsa.''
Olhos azuis, pele clarinha: tudo conspira para que a dona de casa Celia Jorge, 69, caminhe pelo Calçadão debaixo da sua sombrinha. ''Pessoas de pele clara como eu correm risco quando estão ao sol por isso sempre me cuidei'', declarou a dona de casa, que também abusa do bloqueador solar há pelo menos 12 anos.
''Algumas pessoas comentam, tiram sarro quando estou caminhando com a sombrinha, outras falam que vão adotar a ideia'', comentou Celia, que raramente esquece de se proteger. ''Gosto de tomar o sol da manhã, mas recomendo o uso da sombrinha nos horários mais quentes'', sugeriu a dona de casa, que separa a sombrinha para sol, de menor tamanho, do guarda-chuva.
Como sempre morou em sítio, a aposentada Rosmira Mota Silva, 74, tem como sequela dos longos dias brincando ao sol, sérios problemas de pele. Impedida pelo oftamologista de utilizar protetor solar, pois o produto acarreta alergias nos olhos da aposentada, Rosmira só sai de casa no sol se tiver uma sombrinha. ''Está sempre à mão'', garantiu.


