Elas criam uma consciência crítica
Londrina - Neide Barbosa Gomes, de 62 anos, mora em uma propriedade rural de Cambé (Região Metropolitana de Londrina), onde produz polpas congeladas de frutas e já conseguiu autorização para expandir as vendas para todo o pais. A variedade aumentou desde 1999 e os vizinhos passaram a colaborar com a empresa. "A gente compra as frutas que eles produzem e movimenta a economia da região", destacou. Os dois filhos ajudam nos negócios.
A artesã Valdirene Oliveira Ramos, de 42, confecciona tapetes e panos de prato, além de ajudar na criação do gado. "A luta é diária. Não é fácil ser mulher do campo. Não é pra qualquer uma. O dinheiro não é certo e a crise pode chegar de repente", destacou.
Sueli Becker Magalhães, de 47, não esconde a saudade do campo. Ela deixou a propriedade rural para morar no Distrito de São Martinho, em Rolândia (RML). A decisão foi tomada logo após as perdas seguidas nas safras de soja, trigo e milho. Sueli entrou em depressão e agora produz bolachas caseiras com a mãe e a irmã Rozeli. "Quero voltar para o campo. Tenho saudade do cheiro das flores e das frutas e do silêncio do campo", confessou.
A assistente social do Emater de Rolândia, Maria Isabel Henrique, reforçou que as produtoras recuperam a autoconfiança e a autoestima. "Elas criam uma consciência crítica e criam uma identidade. A integração e os exemplos ampliam a visão que elas têm do mundo", ressaltou Maria Isabel. (V.C.)





