Londrina - O neurocirurgião Pedro Garcia Lopes, que acompanhou o caso de Laeni Donizete de Lima Azevedo Costa desde o começo, considera que ela está viva por vontade de Deus. ''Ela tem mais de sete vidas'', brinca o especialista, se referindo a todas as complicações que a paciente teve nos quase quatro meses de internação.
Segundo ele, quando Laeni chegou ao hospital, a possibilidade de sair com vida era quase inexistente, devido à gravidade do quadro. ''Pelo estado gravíssimo em que ela se encontrava, achamos que a sobrevida era muito difícil. Nos primeiros dez dias quase não tínhamos esperança.''
Lopes explica que o projétil atingiu a parte superior do ouvido e foi rompendo tudo pelo caminho até chegar à parede do esôfago. ''Inclusive, chegou a sair um pouco de massa encefálica pelo orifício produzido pela bala'', afirma. De acordo com ele, o trajeto feito pela bala é ''raríssimo''.
Laeni ficou sedada por dez dias porque desenvolveu uma fístula liquórica (saída do líquido da espinha pelo crânio, no caso pelo ouvido) e não tinha como operar. ''Um dos grandes problemas da fístula é provocar uma meningite e foi o que aconteceu durante a evolução do caso'', esclarece Lopes.
Com cerca de um mês de internação ela passou a fazer um contato com a equipe médica, a perceber o ambiente, a obedecer ordens e também abrir os olhos. Com dois meses, o médico já se preparava para dar alta e fazer a internação domiciliar, mas Laeni teve um choque séptico (infecção que se dissemina e vai para o sangue). Ela se recuperou, porém, na sequência, teve hemorragia intestinal e outro choque séptico.
Após várias complicações, o quadro de Laeni evoluiu bem. A paciente saiu do hospital andando com apoio, entendendo praticamente tudo, emitindo alguns sons e querendo se expressar. ''Por tudo que passou, ela saiu em uma situação muito boa'', avalia o neurocirurgião.
Segundo ele, a expectativa é de que Laeni volte a ter uma vida como antes, com um pouco de limitação no braço esquerdo devido à lesão. ''Só não tenho condições de dizer quanto tempo vai levar. Aparentemente, mesmo a parte psicológica dela está boa'', reitera.
Para o especialista, que atua na área há 42 anos, a recuperação da auxiliar odontológica foi muito rápida. ''Pela gravidade do caso, era para ela ficar em coma vegetativo'', conclui.(A.V.)

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