A aposentada Rosalina da Silva, 60 anos, disse que tentou durante quase um mês uma solução para o ataque de cupins à sua residência, no conjunto Luiz de Sá (zona norte). Não conseguiu. Na semana passada, ela derramou um litro de querosene na árvore em frente à sua casa - onde estava o cupinzeiro - e ateou fogo. Depois, chamou a imprensa para reclamar da Autarquia do Meio Ambiente (AMA).
Segundo Rosalina da Silva, ela perdeu a paciência de tanto telefonar à Prefeitura e à AMA em busca de providências. ‘‘Cansei de telefonar e de ser mal atendida. Um fica empurrando a responsabilidade para o outro, e ninguém vem aqui ajudar no combate aos cupins, que invadiram minha casa e estão comendo a mesa e outros móveis. Minha vontade era derrubar a árvore, que está podre e cheia de cupins. Mas como eu não tenho forças para isso, vou tocando fogo até ela cair.’’
Ela disse acreditar que as autoridades não atenderam a sua reivindicação por morar sozinha: ‘‘Na hora da eleição, de pedir o voto, eles vêm aqui como cachorrinhos, chamando a gente de queridinha. Agora, devem pensar: aquela velha que se dane. Na Prefeitura, ainda tiveram a petulância de dizer para eu reclamar com a imprensa. Não é demais?’’
O diretor técnico da AMA, Mauro Maggi, afirmou que não havia registro de solicitação de serviço ou de reclamação de Rosalina da Silva naquela autarquia. ‘‘Deve ter havido engano, porque estamos aqui à disposição e atendendo uma média diária de seis pedidos de combate a cupins na Cidade. Isso não é favor nenhum, é um trabalho normal da AMA.’’
Segundo ele, o combate ao inseto é feito com a aplicação de produtos químicos. ‘‘Quando nossos técnicos vêem que a árvore está comprometida, ela é erradicada e imediatamente substituída por uma muda de outra. O ataque de cupins está acontecendo em todas as regiões da Cidade’’, disse Maggi. Ele explicou que os técnicos da autarquia tomariam providências.
E realmente eles tomaram as providências. Dois dias depois de Rosalina da Silva ter tocado fogo no cupinzeiro, funcionários da AMA arrancaram a velha árvore, que prosseguia infestada de cupins. O diretor de operações da AMA, Júlio Bittencourt, garantiu que uma nova árvore será plantada logo no lugar.
Os cupins são insetos tipicamente tropicais, responsáveis por uma lista enorme de prejuízos nas casas em que atacam. Eles se alimentam de materiais de origem vegetal, notadamente madeiras, plantas vivas, sementes armazenadas e papéis. A rainha do cupinzeiro é capaz de reproduzir até 30 mil ovos por dia. O seu controle só é possível através de produtos químicos.

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