No vestibular de 1993, haviam 2,9 candidatos para 23 vagas do curso de Pedagogia. Naly passou em 10º lugar. ‘‘Foi a partir daí que passei a admirar e a respeitar cada vez mais esta mulher. Ela nos deu uma lição de coragem, humildade, alegria e tenacidade. Varava as madrugadas estudando. Cansei de acordar e vê-la debruçada sobre os livros na mesa de cozinha. Ela ia de ônibus cedinho assistir as aulas, trabalhava à tarde, voltava de ônibus, fazia a janta e ainda encontrava tempo para estudar’’, relembra o marido Darci.
Naly já levou seu currículo ao Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic), escola de 1º e 2º graus da UEM, que fica dentro do campus. Por pelo menos um ano ela vai ganhar experiência nas salas de aula do Caic e vai continuar seu trabalho de zeladora na PEC.
O que mais está agradando Naly neste seu novo trabalho é a filosofia de ensino adotada pelo Caic, o sócio-construtivismo, que ela sempre defendeu como estudante universitária: ‘‘Isto é completamente diferente dos cursinhos de hoje, que te ensinam a decorar. Você tem que deixar a criança construir o pensamento dela. A inteligência é construtiva. A cada dia você aprende uma coisa. Ninguém nasceu inteligente, pronto e acabado. Inteligência se constrói’’.
Os três filhos de Naly estão pensando em voltar aos estudos. O marido já admite que quando se aposentar ‘‘é bem provável que retorne à escola’’. Naly fica feliz com isto e avisa. ‘‘Se eles pensam que eu vou parar de estudar estão redondamente enganados. Vou me especializar. Pretendo fazer Mestrado em Didática’’.
Durante sua ‘‘jornada’’, ela sentiu na pele o preconceito. ‘‘Minhas colegas de trabalho diziam: você é faxineira, tem mais é que sofrer. Pára com essa história de estudo. Outros diziam que eu jamais deixaria de ser uma faxineira. Pois eu lhe digo uma coisa: vou continuar sendo faxineira, com diploma de professora e tudo, até ganhar experiência como professora em sala de aula’’.

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