Ela me disse que queria um amigo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Michelle Aligleri<BR>Reportagem Local 
''Entrei no asilo com o objetivo de ajudar, mas quem está sendo ajudada sou eu.'' A frase é de Tereza Souza, voluntária do Asilo São Vicente de Paulo, que atende atualmente 100 idosos. O asilo conta com o apoio da prefeitura, dos próprios idosos - que destinam parte da sua aposentadoria - e da comunidade.
Além de auxilio material, o asilo também precisa da colaboração de pessoas que estejam dispostas a doar seu tempo e carinho. ''Nossos idosos são muito carentes, alguns ficam anos sem contato com a família'', explica irmã Luzia Aparecida dos Reis, diretora do local.
Cerca de 20 voluntários assíduos desempenham trabalhos em várias áreas. Existe um grupo de barbeiros, que todos os sábados comparece ao local para cuidar dos idosos. Alguns voluntários vão ao asilo ensinar dança e informática aos idosos, outros vão para tocar música e assim por diante.
Irmã Luzia diz que para ser voluntário é preciso ter afeto, disposição e se identificar com a realidade dos idosos. Estas são três características que fazem parte da personalidade de Márcia Miliorini, que mora em Rolândia (Norte) e há nove meses dedica um dia da semana aos internos do asilo. ''Meu trabalho é levá-los para fazer compras ou comprar alguma coisa que eles queiram'', explica.
Para Márcia, dividir o tempo com os idosos é extremamente prazeroso. Ela disse que é possível perceber a carência e o carinho que os idosos têm para dar. ''Estas pessoas passaram a ocupar um espaço na minha vida. Todo mundo deveria, pelo menos uma vez na vida, visitar um asilo e então o trabalho voluntário seria praticado por muito mais pessoas.''
Já o trabalho de Tereza de Souza é desenvolvido com os idosos cadeirantes. ''Levo eles para o saguão, para tomar sol e para a missa. Às vezes eles me pedem algumas coisas, como doces ou meias. Para mim são presentes muito pequenos, mas para eles faz toda a diferença. Os idosos do asilo se tornaram minha família.''
Ela lembrou uma das histórias que a marcaram nestes quatro anos de voluntariado. ''Era época de Natal e eu estava conversando com uma das senhoras que mora no asilo. Perguntei o que queria ganhar de presente, e ela me disse que queria um amigo. Então conversei com um amigo meu e ele e a esposa decidiram ir lá conhecê-la. Eles são amigos até hoje.''


