‘Ela jamais se mataria’, diz amiga
A reportagem da Folha entrevistou ontem com exclusividade uma das das amigas de Isadora que revelou detalhes dos momentos que antecederam a morte da menor. J.D.S.F., 18 anos, afirma que foi a última pessoa a ver a estudante e o vereador antes do crime. Ela diz que a menor estava envolvida com um viajante de Maringá e, por isso, iria terminar o romance com o vereador Haroldo Caetano na noite do crime.
‘‘Quando ele me abordou pra perguntar sobre a Isadora, vi uma arma no carro dele’’, contou. Segundo ela, o vereador estava muito nervoso e parecia drogado. ‘‘Ele falava alto, estava estranho. Tentei pegar a arma, mas ele gritou e me ameaçou’’.
J.D. conta que Isadora ia muito na casa de Caetano porque era amiga de suas filhas. ‘‘Aí ele começou a convidá-la para viajar. Em outras cidades, ele sempre tentava alguma coisa com ela, que recusava’’. Segundo a adolescente, o vereador passou a oferecer ajuda para a família da estudante. ‘‘Ele comprou a Isadora. Fazia compras, dava dinheiro e, principalmente, maconha’’, afirma a amiga.
Na noite do crime, o tal viajante de Maringá fez um passeio de carro com Isadora e mais duas amigas. ‘‘Ela tinha medo dele, por isso, não andava sozinha com o novo namorado. O Caetano estava obcecado por ela. Quando ele me perguntou por ela, já sabia de tudo, já tinha intenção de matá-lᒒ, garante J.D.S.F.
De acordo com a amiga, Isadora estava empolgada com uma viagem que seria feita este final de semana para uma praia artificial da região. ‘‘Ela nunca iria se matar. Acho que fui a última a ver ele, a falar com ele, antes dela morrer. Ela me disse que quando chegasse em casa, ela ia ligar para ele e terminar tudo. Me falaram de madrugada (por volta da uma hora) que ele foi na casa dela e a tirou da cama, e depois foram até a casa alugada por ele’’, relatou a amiga de Isadora.
J.D.F. afirma que pressentia que alguma coisa iria acontecer e, por isso, não conseguiu dormir, e saiu de casa para caminhar. ‘‘Vi quando o carro dele virou a rua, seguindo para a estrada. Tenho certeza que ela não se matou’’. J. ainda disse que por volta das 12 horas de anteontem, Caetano a procurou em sua casa e a ameaçou. ‘‘Ele disse que quem mata um, mata dois. A família dele está ligando em casa para que eu não diga nada para a polícia, mas vou fazer pela minha amiga. Estou com medo. Quando ele me procurou, falou comigo com muito ódio, mas só penso em ajudar a Isadora’’, desabafou.