Curitiba - Quem estiver no Litoral do Estado hoje à noite pode ter a oportunidade única de assistir a um evento raro. Uma tartaruga-gigante escolheu as praias paranaenses para depositar seus ovos nesta temporada reprodutiva e a expectativa é de que ela retorne à areia para desovar em mais um ninho. Essa é a maior e mais ameaçada espécie de tartaruga-marinha do mundo.
Existem cinco espécies de tartarugas-marinhas no Paraná. Também conhecida como tartaruga-de-couro, esse indivíduo é uma fêmea jovem, entre 35 e 40 anos, com 1,5 metro de casco, que deve estar em suas primeiras reproduções - a idade reprodutiva dessa espécie começa aos 30. Não é a primeira vez que o animal decidiu desovar no Paraná. Em 2007 o mesmo indivíduo fez ninhos no litoral. Os pesquisadores a reconheceram pelas mesmas manchas na cabeça. Naquele ano não houve fecundação e nenhum animal nasceu. No entanto, desta vez as chances de filhotes são grandes.
Durante a temporada reprodutiva, a fêmea sobe na areia cerca de dez vezes, em intervalos de dez dias. A última desova aconteceu em 5 de janeiro. Desde às 22 horas de ontem, uma equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação do Centros de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR) monitora uma área de 10 quilômetros entre os balneários Barrancos e Pontal do Sul, em Pontal do Paraná.
Segundo a bióloga Camila Domit, coordenadora do laboratório, a fêmea deve escolher algum local próximo ao balneário de Shangri-lá, por ser menos iluminado que os demais. O animal deixa um rastro grande na areia, bastante visível e fácil de ser localizado.
O cuidado com os ovos já depositados também é constante. Diariamente os biólogos verificam a temperatura no ninho, que deve se manter em 27ºC para o desenvolvimento dos embriões. Até agora todas as condições estão dentro do ideal. Outro cuidado é para que a estrutura da areia sobre os ninhos não seja modificada. Para isso, os pesquisadores contam com o apoio da Polícia Ambiental Força Verde.
Se tudo der certo, a expectativa é que o nascimento ocorra dentro de 70 dias. De acordo com a bióloga, uma das provas de que desta vez houve fecundação é que alguns ovos soltos pelo animal na linha da água apresentaram rachaduras. ''Das cinco desovas, temos certeza que ao menos três foram fecundadas. Ela escolheu e preparou bem os locais dos ninhos, ao contrário da última vez''. Depois da desova, a fêmea não acompanha os ninhos.
Próximo a data do nascimento - 24 horas antes o ninho começa a mudar sua configuração - a área deverá ser cercada. No entanto, a ideia é que a comunidade seja convidada a assistir, pois será um acontecimento inédito. ''Quando os filhotes vão para a água, eles ficam muito suscetíveis a captura pelas redes de pesca. Nós vamos orientar os pescadores, com quem já temos um bom relacionamento, a devolver os animais o mais rápido possível para o mar.''
Camila conta que, por se tratar de uma espécie ameaçada, algumas pessoas questionam por que não intervir mais para proteger as ninhadas. ''Nós não temos nenhuma intenção de interferir. Temos que deixar a condição natural acontecer'', argumenta.
A equipe de biólogos também elaborou banners com explicações sobre o fato. Eles serão fixados neste final de semana próximos as localizações dos ovos. ''Também é importante que as pessoas não entrem ou alterem os ninhos. E quem vir alguém mexendo, deve avisar a Força Verde''. O telefone para denúncias é o 0800 643 0304.

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