A vendedora Celma Freitas, de 46 anos, é mãe de três meninos e há sete anos acolheu uma menina que hoje está com 8 anos. ''Ela criou um vínculo tão forte com minha família, que ela é considerada a princesinha de casa. A gente não enxerga ela de outra forma. Para nós, ela é nossa filha'', comenta Celma, que ao contrário das outras mães entrevistadas recebeu a garota dos braços da mãe, que não tinha condições de criá-la.
Hoje, Celma tem a guarda provisória, mas nem por isso quer tirar o vínculo que a menina tem com a mãe biológica. ''É uma escolha que faz toda a diferença na vida dela. Eu nunca quis que ela perdesse a ligação com a mãe que a gerou'', ressalta.
Quem também participa do programa é Hellen Cristine de Souza, de 22 anos. Ela, que viveu durante cinco anos em um abrigo pela ausência dos pais, ao completar 18 anos acolheu os três irmãos que estavam abrigados. ''Saí do abrigo aos 14 anos, casei e esperei completar a maioridade para poder tirá-los de lá, pois eu sei o que é estar longe de um ambiente familiar. É tudo muito estranho e não existe amor de família'', conta.
Com os irmãos encaminhados nos estudos, Hellen retornou à sala de aula e já está pensando no futuro. ''Quero passar no vestibular e tentar uma bolsa na faculdade para me tornar uma assistente social'', diz.
Um outro exemplo que revela que o acolhimento é uma atitude de amor é dado pela auxiliar de limpeza Neusa Gomes de Azevedo Lopes, de 54 anos, que participa há seis do programa. Ela acolheu duas meninas e um menino, que recentemente retornou à casa do pai.
Ao ser questionada pela atitude, ela respondeu: ''acho que é porque eu tenho muito amor ao próximo. Graças a Deus nunca me faltou nada e posso garantir que toda minha família é feliz'', diz Neusa, que periodicamente recebe a visita da mãe das meninas. ''Não tenho nenhum problema com isso, pois a própria mãe sabe que não tem condições de criá-las'', completou. (M.O.)

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