A assistente social Maria Lúcia Maximiliano, chefe da divisão de Serviço Social do Hospital Universitário (HU) de Londrina, trabalhou durante muitos anos na unidade pediátrica e presenciou um caso da Síndrome de Munchausen por transferência há 10 anos. ''Era uma mãe adolescente, tinha uns 15 anos, solteira. A criança, de uns dois anos, era sempre internada com quadro de febre alta e muitas vezes insuficiência respiratória. Nós fazíamos vários exames, mas nada era detectado e os remédios não faziam efeito.'' Segundo ela, a mãe tinha uma boa relação com os funcionários e como ia muitas vezes para o hospital, ela mesma começou a fazer alguns procedimentos, como medir a temperatura da criança.
''Algumas vezes a criança piorava muito e tinha que ir para a UTI. No dia seguinte, acordava boa. Começamos a desconfiar da mãe. Como não tínhamos câmeras no quarto, ficava difícil vigiá-la o tempo todo. Mas percebemos que ela esquentava o termômetro antes de medir a temperatura. Algumas vezes a criança chorava e, com a desculpa de acalmá-la, a mãe se debruçava sobre ela e a sufocava, provocando a parada respiratória'', narra.
Maria Lúcia disse que a equipe do hospital chamou a avó e os pais da adolescente e ela foi encaminhada para tratamento psiquiátrico. ''Essa mãe buscava um acolhimento que não tinha em casa. Ela negou o que fazia, mas foi tratada. Acompanhamos o caso até pouco tempo e a criança, hoje adolescente, nunca mais ficou doente'', afirma. A assistente social conta que após esse caso a equipe passou a prestar mais atenção, mas houve apenas suspeitas da síndrome. (E.G.)

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