El Ni¤o aumenta chuvas na região Sul
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de dezembro de 1996
Ivan Santos 
O El Ni¤o, fenômeno de aquecimento do mar nas regiões Central e Leste do Oceano Pacífico, tem mais influência sobre o clima da região Sul do Brasil do que se pensava e pode explicar o aumento das chuvas em Curitiba, nos meses de outubro a dezembro. Segundo estudo da professora Alice Marlene Grimm, do Departamento de Física da UFPR, nos anos em que acontece o El Ni¤o, o índice de chuvas na capital cresce em média 20%.
O fenômeno foi verificado a última vez em 91 e prolongou-se até 94. Historicamente, o El Ni¤o acontece em intervalos de 3,8 anos, explica Alice Grimm, ressalvando que essa periodicidade não obedece a uma série precisa.
A professora começou a se interessar pelo problema em 83, quando uma enchente atingiu o Sul do País, deixando milhares de desabrigados e causando grandes prejuízos. Todo mundo comentava que as chuvas eram causadas pelo El Ni¤o, mas ninguém sabia dizer como e até que ponto, conta ela. Estudando a variação pluviométrica, a professora descobriu que além de influir no índice de precipitação na primavera do ano em que se inicia, o El Ni¤o também provoca aumento das chuvas no inverno do ano seguinte.
Foi o que aconteceu na enchente de 83, diz ela. Em 82, a elevação da temperatura na região Leste do Pacífico quase dobrou o índice de chuvas em Curitiba na primavera. A média de chuvas entre outubro e dezembro na cidade, que é de 375 milímetros, pulou para 685 milímetros. No inverno do ano seguinte, o El Ni¤o aumentou em 220% o índice pluviométrico da capital que passou da média de 257 milímetros para 822 milímetros entre maio e julho, o que explica as inundações nessa época.
Depois dessa enchente, o interesse sobre o El Ni¤o aumentou entre a comunidade científica. Hoje, a temperatura do mar na Costa Leste da América do Sul é acompanhada constantemente, e pode ser acessada até na Internet. Na opinião da pesquisadora paranaense, a principal utilidade desses estudos é a possibilidade de se prever tragédias como as provocadas pelas enchentes nos anos 80 na região.
Nosso objetivo é poder antecipar os efeitos do El Ni¤o, estabelecendo um padrão de comportamento desse fenômeno, explica Alice Grimm, lembrando que essas previsões podem ser de grande utilidade para o planejamento agrícola e também para a geração de energia.


