El Niño pode causar enchentes no
PR
Aumento da temperatura nas águas do Oceano Pacífico deve provocar chuvas
intensas principalmente na região Sul
Elisa Marilia
Curitiba

Albari
Rosa
PrevisibilidadeAlexandre Guetter
coordena o 2º Encontro sobre Monitoramento e Previsibilidade Climática
para o Sul e Sudeste do Brasil
O El Niño, fenômeno climático que se repete no Oceano
Pacífico em intervalos de três a seis anos e pode durar de três a quatro anos,
está sendo considerado anômalo este ano. A temperatura da superfície da
água no Oceano Pacífico tem apresentado índices mais altos do que os da
média histórica. Nos últimos dois meses, a temperatura do oceano na costa
oeste da América Latina aumentou cinco graus.
Esta alteração no comportamento
do El Niño significa uma tendência de chuvas constantes no Sul do Brasil,
com risco de enchentes. Um El Niño é considerado intenso quando a
diferença de temperatura, em relação à média, passa de sete graus. Isso
provoca chuvas fortes durante a primavera do mesmo ano e outono e inverno
do ano seguinte.
Todos os processos físicos que
podem ser desencadeados pelo El Niño estão na pauta de discussões do 2º
Encontro sobre Monitoramento e Previsibilidade Climática para o Sul e
Sudeste do Brasil, que termina hoje em Curitiba. Estão reunidos especialistas
em meteorologia, climatologia, agrometeorologia e hidrologia.
Segundo o coordenador do
encontro, Alexandre Guetter, os modelos atuais de previsão do tempo não
fornecem um quadro climático completo das regiões de interesse.
‘‘Há uma série de informações complementares, além da
previsão de precipitação, temperatura superficial e bloqueio atmosféricos, que
poderiam ser divulgadas para um público mais amplo’’,
acredita.
As informações sobre clima
geradas pelo Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) contribuem para
uma série de atividades. Na agricultura, ajudam a definir a época de plantio e
colheita e o melhor momento para a aplicação de adubos e defensivos, além
de prever geadas, granizo e chuvas.
Na engenharia, o estudo do clima
está ligado à programação das etapas de construção e inspira a chamada
arquitetura bioambiental, criação de projetos de residências e escritórios de
acordo com a insolação, umidade e vento típicos da região, reduzindo os
custos das obras.
A previsão confiável do tempo
garante também menos atrasos e maior segurança nos vôos e nas operações
portuárias. Isso sem contar com a facilidade de programar com antecedência
viagens e atividades de lazer.
Por fim, um sistema de
meteorologia preciso emite alertas sobre ventanias, inundações e ressacas,
possibilitando a antecipação de medidas emergenciais e a adequação das
equipes de salvamento, buscas e reparos.

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