Égua agoniza na praça até sacrifício
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segunda-feira, 26 de maio de 1997
Edmara Michetti 
Mário CésarTremoresA égua de Sebastião Cremona da Silva na praça da vila Portuguesa: dono suspeita que um prego enferrujado tenha derrubado o animalA agonia de uma égua esparramada no gramado da praça da vila Portuguesa (área central) sensibilizou moradores do local. Ontem à noite, o animal, que está deitado na praça desde a tarde de domingo, mal se movia. Só os tremores de dor podiam ser percebidos.
O proprietário da égua, Sebastião Cremona da Silva, afirma que o animal pisou num prego e se infectou. Desde que o animal adoeceu, há uma semana, Silva diz ter aplicado duas injeções contra tétano que não surtiram efeito. Ele conta que o animal pisou numa tábua ali mesmo nos fundos de sua casa, onde a égua vivia com outros dois cavalos. O pessoal desmontou uma carroceria e deixou uma tábua com prego virado para cima, e ela pisou.
Silva afirma ter tentado socorro, ligando em algum setor que cuida de animais, que ele não soube dizer qual é. O chefe não estava. Depois disso, ele afirma que uns vizinhos da praça passaram a cuidar da égua. Desacreditado na cura daquele que, até então, era seu instrumento de trabalho, Silva garante que o animal era bom de carroça.
Com 83 anos, Silva afirma que conheceu todo o chão do Paraná no casco de um cavalo. Agora já estou meio aposentado, não trabalho mais. Os cavalos, segundo ele, hoje são estimação, assim como o cachorro sem raça que, preso a uma corrente, faz a guarda da casa onde Silva mora sozinho. Sem esquecer a dor da sua crioula, Silva lembra que a mãe dela teve morte parecida. Também morreu aleijada.
Um representante da AMA esteve no local, pouco depois das 18 horas. Ao ver o estado da égua, chegou à conclusão de que não restava outra saída senão o sacrifício do animal.
Para isso, o funcionário da AMA contatou a Polícia Florestal, que se encarregaria de recolhê-lo.
Mas a informação na Polícia Florestal era de que a responsabilidade era da Prefeitura e, mesmo que agissem, só fariam depois que um veterinário apresentasse um laudo confirmando a necessidade de sacrificar o animal. Os policiais precisariam ainda do aval do proprietário.


