Mário CésarTremoresA égua de Sebastião Cremona da Silva na praça da vila Portuguesa: dono suspeita que um prego enferrujado tenha derrubado o animalA agonia de uma égua esparramada no gramado da praça da vila Portuguesa (área central) sensibilizou moradores do local. Ontem à noite, o animal, que está deitado na praça desde a tarde de domingo, mal se movia. Só os tremores de dor podiam ser percebidos.
O proprietário da égua, Sebastião Cremona da Silva, afirma que o animal pisou num prego e se infectou. Desde que o animal adoeceu, há uma semana, Silva diz ter aplicado duas injeções contra tétano que não surtiram efeito. Ele conta que o animal pisou numa tábua ali mesmo nos fundos de sua casa, onde a égua vivia com outros dois cavalos. ‘‘O pessoal desmontou uma carroceria e deixou uma tábua com prego virado para cima, e ela pisou.’’
Silva afirma ter tentado socorro, ligando em algum setor que cuida de animais, que ele não soube dizer qual é. ‘‘O chefe não estava.’’ Depois disso, ele afirma que uns vizinhos da praça passaram a cuidar da égua. Desacreditado na cura daquele que, até então, era seu instrumento de trabalho, Silva garante que o animal era ‘‘bom de carroça’’.
Com 83 anos, Silva afirma que conheceu todo o ‘‘chão do Paraná no casco de um cavalo’’. ‘‘Agora já estou meio aposentado, não trabalho mais.’’ Os cavalos, segundo ele, hoje são estimação, assim como o cachorro sem raça que, preso a uma corrente, faz a guarda da casa onde Silva mora sozinho. Sem esquecer a dor da sua ‘‘crioula’’, Silva lembra que a mãe dela teve morte parecida. ‘‘Também morreu aleijada.’’
Um representante da AMA esteve no local, pouco depois das 18 horas. Ao ver o estado da égua, chegou à conclusão de que não restava outra saída senão o sacrifício do animal.
Para isso, o funcionário da AMA contatou a Polícia Florestal, que se encarregaria de recolhê-lo.
Mas a informação na Polícia Florestal era de que a responsabilidade era da Prefeitura e, mesmo que agissem, só fariam depois que um veterinário apresentasse um laudo confirmando a necessidade de sacrificar o animal. Os policiais precisariam ainda do aval do proprietário.

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