Efeito mais grave é no sistema nervoso central
Alucinação, visão distorcida, respiração ofegante e taquicardia são alguns dos sintomas apresentados por quem fuma crack. Estudos mostram que os efeitos são mais fortes no pulmão e no sistema nervoso central.
Por ser derivado da cocaína - a chamada borra do refinamento da cocaína, que recebe todas as impurezas durante o processo de fabricação - o crack tem um efeito rápido e devastador no organismo.
O nome crack é em referência ao estalo que a droga emite quando é aquecido para ser fumado. A droga leva apenas 15 segundos para chegar ao cérebro. A euforia provocada pelo seu uso dura de 5 a 12 minutos e é seguida pelo abatimento, que pode deixar o usuário irritado, deprimido, ou extremamente paranóico.
Quinze minutos depois, o usuário já sente necessidade de inalar novamente a fumaça, para fugir dos efeitos da síndrome de abstinência: desgaste físico, prostração e depressão profunda.
Em doses elevadas, a droga causa aumento de temperatura, convulsões e aumento dos batimentos cardíacos, podendo resultar em parada cardíaca, respiratória e colapso do sistema nervoso central.
Mais barato e com alto poder de dependência, o crack é considerado a droga do momento, tanto para pessoas de camadas baixas quanto na alta sociedade. Em Arapongas, uma pessoa morreu recentemente após pipar uma marica de crack e outra foi internada com sérios problemas neurológicos.
Entre os usuários de crack entrevistados, a maioria apresenta problemas de catarro nos pulmões e respiração pesada, consequência das cinzas aspiradas ao pipar uma marica. Eles também se mostram em estado de alerta, observando pessoas que passam em volta.
Também demonstram auto-afirmação, para tentar transmitir que estão bem: batem no peito e nos braços para mostrar que têm condições de superar a droga. Mas, em alguns casos, o crack seria utilizado logo em seguida à entrevista.
O psiquiatra Heber Odebrecht Vargas, da Clínica das Palmeiras, em Londrina, informa que o estrago provocado pelo crack no organismo é o mesmo da cocaína, com um agravante: por ser menos refinado, o crack pode causar alterações nos pulmões como qualquer droga que é inalada e, principalmente, destruir aos poucos o sistema nervoso central.
O crack provoca alterações primordiais, como a perda de sono, de apetite, irritabilidade e agressividade. Por este motivo, ela provoca a morte indireta. O usuário geralmente não morre por causa da droga, mas por causa da violência, explica.
As alterações psicológicas acontecem após um tempo de uso do crack. No entanto, a droga produz mais rapidamente as alterações psiquiátricas. Entre os sintomas, a perda da liberdade de ir e vir, o estado de alerta e a sensação de estar sendo vigiado. A excitação provocada pelo crack produz uma série de complicações. Com isso, o indivíduo perde o vínculo familiar e social, se afasta de tudo e de todos.
Para o tratamento da dependência química, há clínicas neuropsiquiátricas especializadas ou clínicas de terapia ocupacional e religiosa espalhados pelo país. Mesmo assim, Heber Vargas afirma que para esta recuperação é necessário avaliar o grau de dependência desta pessoa para indicar este ou aquele tratamento.
A família é um dos mais importantes remédios na recuperação do dependente. Ela tem que dar muito apoio na primeira crise e ser forte para enfrentar uma recaída. A sociabilização da pessoa também é muito importante para que ela se recupere, orienta.





