Educando para um trânsito mais seguro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
As escolas que estão nas ruas mais movimentadas de Londrina enfrentam um problema crônico: o congestionamento do trânsito nos horários de entrada e saída das crianças. Na pressa, muitos pais acabam parando o carro em fila dupla, as crianças têm que descer rapidamente e não são acompanhadas por um adulto até a entrada da escola, ficando expostas a diversos riscos.
Além disso, reclamações sobre outros problemas no trânsito também são constantes. Em pouco tempo de observação pelas ruas da cidade, é possível flagrar motoristas dirigindo em alta velocidade, furando sinal vermelho, ou dispensando o uso do cinto.
Com o objetivo de oferecer mais segurança para os pequeninos e fazê-los agentes mirins do trânsito de Londrina, usando o apelo dos filhos para conscientizarem os pais-motoristas, profissionais da Escola Educativa de Trânsito de Londrina, em parceria com a 2 Companhia de Polícia Rodoviária, Liga do Trauma de Londrina e Prefeitura, estão promovendo uma campanha de conscientização nas escolas localizadas em ruas movimentadas.
A campanha começou ontem. A primeira instituição visitada foi o Colégio Estadual Newton Guimarães, que fica na Vila Brasil (Região Central). Enquanto estacionavam, os pais foram abordados e receberam, além de um panfleto explicativo, diversas orientações de como proceder no momento de deixar o filho na escola e também no dia-a-dia.
O vendedor Marcelo Safra, que todos os dias leva a filha Maria Eduarda Safra, 10 anos, ao colégio, aprovou a campanha. Para ele, tudo que puder ser feito para garantir a segurança no trânsito é válido. ''Muitos pais não têm consciência e acabam agindo de forma irresponsável no trânsito, acho muito importante atividades como essa'', opinou.
No entanto, o entusiasmo maior com a campanha de conscientização ficou por conta das crianças. Elas receberam uma cartilha para colorir e um jogo educativo relacionado ao trânsito. A aglomeração em torno da reportagem foi grande, todos tinham uma história para contar de algum ''puxão de orelha'' que deram nos pais devido a alguma infração no trânsito.
''Minha mãe não faz nada de errado quando está dirigindo, mas meu pai já passou no sinal vermelho. Dei uma bronca nele, falei que a gente podia morrer'', relatou Luísa Maioli de Araújo, 9 anos. O pai de Matheus Freire Sitta, 9 anos, certa vez, dirigiu sem o cinto de segurança e não escapou do alerta do filho. ''Falei pro meu pai que isso não pode e que ele poderia levar uma multa'', recordou Matheus.
Para o soldado José Carlos Rodrigues da Silva, da 2 Companhia de Polícia Rodoviária, o trabalho com as crianças dá resultado a curto e longo prazo. ''É muito gratificante lidar com as crianças e adolescentes porque eles farão o trânsito de amanhã. Além disso, eles educam os pais, cobrando posturas mais responsáveis no trânsito'', explicou.
A atividade será realizada até amanhã em 10 escolas e deve atingir em torno de 3 mil pais e alunos.


