O Centro Sócio-Educacional de Londrina, também conhecido como Educandário, recebeu ontem os primeiros quatro adolescentes infratores após a conclusão da reforma do prédio. Os internos foram transferidos do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). A instituição, que estava interditada desde novembro do ano passado, tem capacidade para 51 jovens e deverá ter a lotação completa.
''Não deve demorar muito para que outros sejam transferidos para cá'', afirmou o coordenador administrativo da unidade, Arnaldo Okamura, sem especificar datas. Ele disse também que a estrutura da instituição estava pronta para começar a receber os internos. As novas remoções serão determinadas pelo Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp).
No mesmo dia da retomada de atividades, os educadores participaram da última fase do curso de capacitação para controle de tumultos. A etapa integra a reformulação pedagógica e de segurança planejada para a unidade desde o ano passado, quando o prédio foi interditado pela Secretaria de Trabalho, Emprego e Promoção Social em virtude da quantidade de fugas e rebeliões promovidas pelos menores internados.
De acordo com Okamura, a última etapa do curso consiste no treinamento de 34 educadores para situações como revista, algemamento e contenção de indivíduos armados. O treinamento é de responsabilidade dos tenentes Marcelo Israel da Costa e Franck Sione Coelho dos Santos, do 5º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Londrina.
''As aulas têm como objetivo capacitar os educadores à contenção de tumultos sem o uso de violência, com base em princípios de artes marciais adaptadas ao uso pela PM'', explicou o tenente Israel, sem dar mais detalhes sobre o curso, alegando questões de segurança. ''A idéia é mostrar força para não ter que usá-la'', continuou.
A direção do Educandário também planeja a criação de um comando de controle de crises, coordenado pela PM e pelos funcionários da unidade, além do uso de cacetetes e escudos, equipamentos de uso comum por pelotões de choque da PM.
Os cursos já oferecidos pela PM aos educadores também devem ser revisados dentro do Educandário. ''A nossa idéia é familiarizar a PM com o prédio, que passou por muitas mudanças'', afirmou a diretora da unidade, Laura Okamura. As reformas, que consumiram R$ 350 mil em investimentos, já alteraram 50% do projeto original do prédio e estão sendo realizadas há mais de quatro meses.
No período em que funcionou, entre julho e novembro do ano passado, o Centro enfrentou pelo menos 10 situações de tensão. Alexandre Margonar, um dos educadores em treinamento, reafirmou a importância dos cursos. ''Antes de a unidade entrar em funcionamento, havíamos passado por pouco mais de 20 horas de capacitação. Desta vez são mais de 360 horas. Me sinto mais seguro e tenho certeza de que muitas das situações vividas em 2004 poderiam ter sido evitadas se tivéssemos passado por estes cursos'', afirmou.
De acordo com Laura, delegacias, centros de apoio (Ciaadis) e mesmo outras unidades de todo o Estado já estão solicitando transferências, o que é gerenciado pela Central de Vagas do Iasp. ''Para aumentar a segurança dos processos, o Iasp só nos avisa das transferências momentos antes de ela acontecer'', afirmou. (Colaborou Fernando Rocha Faro)

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