A Unidade Oficial de Internamento de Londrina (Usoil), conhecida como Educandário, está oficalmente interditada para ser reformada. O custo da obra deverá ser de pelo menos R$ 427 mil e deve durar até 60 dias. Entre as mudanças, estão sendo estudadas a separação do prédio em alas, como adiantou ontem a a diretora do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), Telma de Oliveira, que esteve ontem em Londrina.
O estopim de mais essa crise no Educandário foi uma rebelião que ocorreu na tarde de quinta-feira, quando o prédio foi praticamente destruído pelos internos, que também fizeram quatro reféns. Aproveitando a confusão, quatro adolescentes fugiram. A unidade enfrenta problemas com fugas e situações de tensão desde que começou a funcionar, em julho deste ano.
Uma das desculpas recorrentes para os problemas no Educandário é a da estrutura física inadequada. Segundo Telma, o Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom) fez uma avaliação no prédio e confirmou que a construtora utilizou os materias previstos em contrato. Mesmo assim, os adolescentes conseguiram desmontar paredes dentro do banheiro e arrancar grades inteiras.
Mesmo depois dessa rebelião que destruiu o prédio e, inclusive de denúncias de funcionários que dizem que a unidade não têm mais condições de abrigar os menores, o Iasp não cogita a possibilidade de erguer um novo prédio em Londrina. ''Ainda que não seja o melhor é o único que nós temos'', afirmou a diretora da unidade, Laura Okamura. A declaração foi confirmada por Telma.
Para evitar problemas futuros, o Iasp pensa em realizar uma espécie de triagem e alojar no Educandário de Londrina apenas adolescentes que cometeram crimes leves. ''Mesmo que os adolescentes perigosos sejam da região talvez não poderemos aceitá-los'', disse Laura.
Segundo a promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula, a unidade já se mostrou inadequada para receber adolescentes perigosos. Para ela, os índices de violência na cidade provariam a necessidade de um local para internação de menores mais perigosos.
Reforços na estrutura do prédio já estavam sendo realizados no Educandário antes da rebelião de quinta-feira. Para essas melhorias seriam gastos R$ 327 mil. Depois da rebelião e com o aumento dos danos, a diretora do Iasp avalia mais R$ 100 mil ou R$ 150 mil para fazer os reparos extras. A obra deverá ser concluída entre 45 e 60 dias.
Na quinta-feira, após a rebelião ser controlada, nove adolescentes foram transferidos para o Centro Integrado de Atendimento ao Menor Infrator (Ciaadi) e 25 para a Peninciária Estadual de Londrina (PEL). A partir de segunda-feira, eles serão distribuídos entre outras unidades do Paraná. Após a conclusão da reforma, alguns poderão voltar à unidade.

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